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do Ouvinte - Julho 2008 |
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Nesse mês de julho, a série "Música nas Cortes" apresentará um repertório especial que contempla as práticas da cortes do Rio de Janeiro, Lisboa, Áustria e Nápoles. Em termos de mudanças nas práticas musicais há ainda ligações importantes, tecidas através da nobiliarquia e da diplomacia. De um lado, as relações diplomáticas com os italianos garantiram, por exemplo, que Scarlatti e David Peres estivessem em Portugal e que Marcos Antonio da Fonseca Portugal fosse para a Itália - era a ópera entrando pelos teatros da corte. Do outro, os interesses dos portugueses na linhagem dos Augsburgos da Áustria contribuíram para a vinda de Neukomm ao Rio de Janeiro - era o classicismo que vinha pelo mar. Em suma,
as ligações da monarquia portuguesa, principalmente com
os austríacos e espanhóis, e o gosto pela ópera italiana,
colocaram os nobres portugueses em contato direto com um dos mais refinados
comportamentos de corte da Europa do final do século XVIII. Os
comportamentos e gostos se universalizavam na medida em que essas relações
se estendiam. O surgimento de instituições de corte, como
a Capela e Câmara Reais favoreceu a expansão da atividade
musical, criou mais oportunidades de trabalho e redefiniu a hierarquia
entre os músicos. As famílias aristocráticas que
vieram com D. João VI ou que aqui se aproximaram dele, contribuíram
com seus comportamentos e hábitos de ouvir música em saraus
e reuniões sociais. Em tudo isso, pode-se somar ainda a circulação
de viajantes e negociantes estrangeiros, a freqüência e a pompa
que as festividades adquiriram e, sobretudo, a construção
do Real Teatro de São João, palco ideal para as representações
dramáticas. Se os homens vão e vêm, com eles circulam
também as idéias. 1996-2008 Fundação Padre Anchieta |