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do Ouvinte - Abril 2008 |
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Neste mês
de abril o violonista Fábio Zanon continua a série
"Violão brasilero" onde os maiores intérpretes
e autores tramitarão pelas ondas do rádio. Muito provavelmente
o instrumento começou a ser utilizado na Europa no século
VIII, com as incursões árabes. Assim como a maioria dos instrumentos musicais, não se sabe o certo a origem do violão, mas foi na Espanha e depois no Brasil que ele tomou as configurações atuais. No Egito antigo, o faraó Tutankamon foi mumificado junto a um trompete. Na Grécia clássica, Apolo tocava uma cítara e Dionísio tambores; representaram respectivamente, o equilíbrio e o desequilíbrio da pólis aristocrática. Na sociedade cristã, sabe-se que Davi cantava com uma cítara ou um saltério. Na primeira Idade Média, Santo Agostinho compara, em um de seus sermões, Cristo esticado na cruz a uma pele esticada em um tambor. Depois vem São Jerônimo, que desejava que nenhuma menina educada jamais conhecesse o que era um alaúde; depois um abade francês, Aeldred de Rivaulx, que chamava o órgão e seus mecanismos de produção de som, de estrondos do trovão com um terrível soprar de foles. No Brasil, em fins do século XVIII e nos inícios do século XIX, qualquer indivíduo que fosse visto tocando um violão ou como disse Gonzaga, "dançando o vil batuque e o quente lundu", poderia ser preso. No final do século XIX e até a década de vinte do nosso século, o violão e outros instrumentos, eram ícones da malandragem, dos desclassificados e o piano, por sua vez, a representação da burguesia pré-industrial. Diga-se de passagem, que o violão só foi admitido como instrumento musical, como qualquer outro, a partir de 1940, um pouco mais ou menos, quando passou a ser usado em conservatórios. © 1996-2008 Fundação Padre Anchieta |