Guia do Ouvinte - Maio 2007

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A NOTÍCIA TRATADA COM SERIEDADE

Coberturas de fôlego marcam jornalismo da Cultura FM

Fato, repercussão e análise: este é o tripé que orienta as coberturas jornalísticas da Cultura FM, de acordo com o coordenador de jornalismo da emissora, Marco Antônio Gomes.

Durante muito tempo, dizia-se que a principal agência de notícias em rádio era a "gilete press" - uma referência ao hábito que os profissionais do veículo tinham de utilizar a mídia impressa como fonte, recortando e reescrevendo o noticiário publicado pelos jornais diários.

Pois bem: na Cultura FM, a "gilete press" não tem vez. "A gente não faz pauta com base em jornal, porque aquilo já está velho", diz Gomes. "Procuramos, sim, fazer o que não é feito por aí, que é gerar novas informações".

Nos últimos anos, o jornalismo tem se consolidado em uma emissora habitualmente dedicada à programação musical. O resultado foi ganhar fôlego e confiança para coberturas de maior envergadura.

A primeira delas foi a da invasão israelense ao Líbano. Mesmo sem ter correspondentes internacionais, a emissora conseguiu transformar os personagens da crise em atores, e fazer uma cobertura diferenciada, com foco nas crianças. Depois de 30 dias de cobertura, Atenção Brasil fez uma edição especial, retrospectiva. E ainda foi gerado um subproduto, o CD Crianças da Guerra, com o resumo da cobertura.

Outra matéria especial de grande repercussão foi sobre o processo de reforma agrária. "Visitamos dois assentamentos do Incra, nas terras que faziam parte da fazenda Itamaraty, do empresário Olacyr de Moraes, no Mato Grosso", conta Gomes. Na propriedade de Moraes, que, nos anos 80, chegou a ser conhecido como "rei da soja", foram colocadas 300 famílias de sem-terras.

"Aquilo era um empreendimento agrícola de referência internacional, que acabou virando terra de ninguém", diz. "Os assentados estavam morrendo de fome, e faziam comércio dos lotes, vendendo e alugando".
A exemplo do que ocorreu com a cobertura da crise no Oriente Médio, também esta matéria foi transformada em CD. O título: Terra de Ninguém.

A atenção para temas distantes de São Paulo não significa descaso com assuntos locais. Toda a equipe foi mobilizada para cobrir o acidente nas obras da linha 4 do metrô, em janeiro deste ano. "Nós fomos, com certeza, o primeiro veículo a dizer que aquilo não era problema geológico, era estrutural", afirma Gomes. "E também apuramos que as megaoperações da Polícia Federal eram, na verdade, um esforço de marketing, como foi admitido por gente da própria PF".

Na sucessão presidencial, também houve empenho em uma cobertura aprofundada e imparcial, analisando comparativamente as propostas dos candidatos, e examinando de perto os números das pesquisas eleitorais. Na época das eleições, Atenção Brasil chegou a ter edições especiais, com duas horas de duração.

E, em uma emissora dedicada à música clássica, não poderia ter faltado o acompanhamento da recente turnê européia da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

"Durante a semana, Salomão Schvartzman apresentou o Diário da Manhã desde a Europa", conta o jornalista. "No final de semana, havia um balanço do que havia ocorrido. E havia uma repórter nossa por lá, fazendo boletins".

O jornalismo da Cultura FM funciona com boletins diários, de hora em hora. Às 19h, vai ao ar Atenção Brasil, jornal com uma hora de duração, ancorado por Vinícius França, e que conta ainda com as participações dos jornalistas Josias de Souza, Renato Lombardi e Vicente Adorno - que os ouvintes da rádio também conhecem graças ao programa A Canção Americana.

"Nos boletins, a gente evita entrar simplesmente com texto", explica o jornalista. "A idéia é ter sempre um repórter dando informação, ou colocando os temas que serão desenvolvidos mais tarde, no Atenção Brasil".
Esses temas têm uma seleção rigorosa. Gomes trabalha com um conceito que ele chama de "pauta consolidada".
"Não adianta eu querer que um repórter faça quatro ou cinco matérias por dia", diz. "Prefiro que faça uma só, mas que tenha começo, meio e fim".

Uma opção, portanto, pela solidez e credibilidade da informação. "Na reunião de pauta, definimos os temas mais importantes do dia, e, daí, nos aprofundamos neles, até esgotar", conta. "Nós só damos o que é realmente importante".

Uma escolha que é norteada, também, pelas especificidades do público da Cultura FM. "A programação musical atrai um público que é muito bem informado, e para o qual a música é informação", afirma. "Esse público ouve, na própria emissora, jornais diferenciados, apresentados por colunistas, como o Diário da Manhã, de Salomão Schvartzman, e Estação Cultura, de Gioconda Bordon".

No raciocínio de Gomes, esse público demanda um maior aprofundamento no tratamento da notícia. Para que o jornalismo da emissora realmente consiga oferecer algo de novo com relação à informação que esse ouvinte qualificado já possui.

"Não apenas temos que trabalhar com temas essenciais, como ainda agregar valor", sintetiza. "Porque o nosso público é super exigente, e participativo. Logo que uma matéria vai ao ar, a gente já recebe a repercussão por telefone, ou e-mail. Isso é ótimo, porque ninguém aqui é dono da verdade, e, desta forma, vamos conhecendo melhor o nosso ouvinte".

Por vezes, a atenção dos ouvintes pode até se transformar em pauta. Foi o caso de um e-mail que chegou de Santo Amaro, contando de um carrinho de cachorro quente bastante sui generis: nele, o rádio estava ligado sempre na Cultura FM, e seu atendente acompanhava, cantando, as óperas que a emissora levava ao ar.
"Isso acabou virando uma matéria muito boa", conta Gomes. "O carrinho virou um núcleo, no qual as pessoas se encontram para trocar gravações, livros e informações sobre música".

Marco Antônio Gomes é coordenador de jornalismo das rádios Cultura AM e FM desde meados de 2006. Com vasta experiência na mídia impressa e eletrônica, atuou, nas últimas três décadas, em veículos como os jornais O Estado de São Paulo e Gazeta Mercantil, as tevês Globo e Bandeirantes e as rádios Globo, Jovem Pan e Eldorado.

CULTURA FM
Atenção Brasil. Seg a sex, às 19h.



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