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A
NOTÍCIA TRATADA COM SERIEDADE
Coberturas de fôlego marcam
jornalismo da Cultura FM Fato,
repercussão e análise: este é o tripé que orienta
as coberturas jornalísticas da Cultura FM, de acordo com o coordenador
de jornalismo da emissora, Marco Antônio Gomes.
Durante muito
tempo, dizia-se que a principal agência de notícias em rádio
era a "gilete press" - uma referência ao hábito
que os profissionais do veículo tinham de utilizar a mídia impressa
como fonte, recortando e reescrevendo o noticiário publicado pelos jornais
diários.
Pois bem: na Cultura FM, a "gilete press"
não tem vez. "A gente não faz pauta com base em jornal,
porque aquilo já está velho", diz Gomes. "Procuramos,
sim, fazer o que não é feito por aí, que é gerar novas
informações".
Nos últimos anos, o jornalismo
tem se consolidado em uma emissora habitualmente dedicada à programação
musical. O resultado foi ganhar fôlego e confiança para coberturas
de maior envergadura.
A primeira delas foi a da invasão israelense
ao Líbano. Mesmo sem ter correspondentes internacionais, a emissora
conseguiu transformar os personagens da crise em atores, e fazer uma cobertura
diferenciada, com foco nas crianças. Depois de 30 dias de cobertura, Atenção
Brasil fez uma edição especial, retrospectiva. E ainda foi gerado
um subproduto, o CD Crianças da Guerra, com o resumo da cobertura.
Outra
matéria especial de grande repercussão foi sobre o processo de reforma
agrária. "Visitamos dois assentamentos do Incra, nas terras que
faziam parte da fazenda Itamaraty, do empresário Olacyr de Moraes, no Mato
Grosso", conta Gomes. Na propriedade de Moraes, que, nos anos 80, chegou
a ser conhecido como "rei da soja", foram colocadas 300 famílias
de sem-terras.
"Aquilo era um empreendimento agrícola de
referência internacional, que acabou virando terra de ninguém",
diz. "Os assentados estavam morrendo de fome, e faziam comércio
dos lotes, vendendo e alugando". A exemplo do que ocorreu com a cobertura
da crise no Oriente Médio, também esta matéria foi transformada
em CD. O título: Terra de Ninguém.
A atenção
para temas distantes de São Paulo não significa descaso com assuntos
locais. Toda a equipe foi mobilizada para cobrir o acidente nas obras da linha
4 do metrô, em janeiro deste ano. "Nós fomos, com certeza,
o primeiro veículo a dizer que aquilo não era problema geológico,
era estrutural", afirma Gomes. "E também apuramos que
as megaoperações da Polícia Federal eram, na verdade, um
esforço de marketing, como foi admitido por gente da própria PF".
Na
sucessão presidencial, também houve empenho em uma cobertura aprofundada
e imparcial, analisando comparativamente as propostas dos candidatos, e examinando
de perto os números das pesquisas eleitorais. Na época das eleições,
Atenção Brasil chegou a ter edições especiais, com
duas horas de duração.
E, em uma emissora dedicada à
música clássica, não poderia ter faltado o acompanhamento
da recente turnê européia da Orquestra Sinfônica do Estado
de São Paulo.
"Durante a semana, Salomão Schvartzman
apresentou o Diário da Manhã desde a Europa", conta o jornalista.
"No final de semana, havia um balanço do que havia ocorrido. E
havia uma repórter nossa por lá, fazendo boletins". O
jornalismo da Cultura FM funciona com boletins diários, de hora
em hora. Às 19h, vai ao ar Atenção Brasil,
jornal com uma hora de duração, ancorado por Vinícius
França, e que conta ainda com as participações dos jornalistas
Josias de Souza, Renato Lombardi e Vicente Adorno - que os
ouvintes da rádio também conhecem graças ao programa A
Canção Americana.
"Nos boletins, a gente evita
entrar simplesmente com texto", explica o jornalista. "A idéia
é ter sempre um repórter dando informação, ou colocando
os temas que serão desenvolvidos mais tarde, no Atenção
Brasil". Esses temas têm uma seleção rigorosa.
Gomes trabalha com um conceito que ele chama de "pauta consolidada". "Não
adianta eu querer que um repórter faça quatro ou cinco matérias
por dia", diz. "Prefiro que faça uma só, mas que tenha
começo, meio e fim".
Uma opção, portanto,
pela solidez e credibilidade da informação. "Na reunião
de pauta, definimos os temas mais importantes do dia, e, daí, nos aprofundamos
neles, até esgotar", conta. "Nós só damos
o que é realmente importante".
Uma escolha que é
norteada, também, pelas especificidades do público da Cultura
FM. "A programação musical atrai um público que
é muito bem informado, e para o qual a música é informação",
afirma. "Esse público ouve, na própria emissora, jornais
diferenciados, apresentados por colunistas, como o Diário da Manhã,
de Salomão Schvartzman, e Estação Cultura, de Gioconda Bordon". No
raciocínio de Gomes, esse público demanda um maior aprofundamento
no tratamento da notícia. Para que o jornalismo da emissora realmente consiga
oferecer algo de novo com relação à informação
que esse ouvinte qualificado já possui.
"Não apenas
temos que trabalhar com temas essenciais, como ainda agregar valor",
sintetiza. "Porque o nosso público é super exigente, e participativo.
Logo que uma matéria vai ao ar, a gente já recebe a repercussão
por telefone, ou e-mail. Isso é ótimo, porque ninguém aqui
é dono da verdade, e, desta forma, vamos conhecendo melhor o nosso ouvinte".
Por
vezes, a atenção dos ouvintes pode até se transformar em
pauta. Foi o caso de um e-mail que chegou de Santo Amaro, contando de um carrinho
de cachorro quente bastante sui generis: nele, o rádio estava ligado sempre
na Cultura FM, e seu atendente acompanhava, cantando, as óperas
que a emissora levava ao ar. "Isso acabou virando uma matéria muito
boa", conta Gomes. "O carrinho virou um núcleo, no qual as
pessoas se encontram para trocar gravações, livros e informações
sobre música".
Marco Antônio Gomes é
coordenador de jornalismo das rádios Cultura AM e FM desde
meados de 2006. Com vasta experiência na mídia impressa e eletrônica,
atuou, nas últimas três décadas, em veículos como os
jornais O Estado de São Paulo e Gazeta Mercantil, as tevês Globo
e Bandeirantes e as rádios Globo, Jovem Pan e Eldorado.
CULTURA
FM Atenção Brasil. Seg a sex, às 19h.
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