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O RESGATE DE UMA GRANDE ÓPERA BRASILEIRA
Teatro de Ópera leva ao ar Bug Jargal, encenada em Belém,
em 2005
Tradicionalmente dedicado
à apresentação de obras completas do mundo da lírica,
sempre aos domingos, às 15h, com apresentação do
maestro Walter Lourenção, Teatro de Ópera
leva ao ar, neste mês, uma produção de destaque do
ano passado: Bug Jargal, de Gama Malcher, indicada para o Prêmio
Carlos Gomes de 2005.
A produção integrou a quarta edição do Festival
de Ópera do Teatro da Paz, que acontece desde 2002 em Belém
do Pará, neste belo teatro fundado em 1870, e que conta com uma
das acústicas mais privilegiadas do Brasil.
Em
2005, o festival optou pelo resgate de um título esquecido: Bug
Jargal, ópera estreada em 17 de novembro de 1890 no Teatro
da Paz, e que ficou ausente dos palcos por 114 anos, até ser novamente
encenada no mesmo palco, entre 10 e 14 de setembro do ano passado, com
partitura editada pelo regente e musicólogo amazonense Márcio
Páscoa, e direção cênica de Cleber Papa.
Com libreto de Vincenzo Valle, a ópera, em quatro atos, baseia-se
no primeiro trabalho literário de Victor Hugo, o romance Bug Jargal,
iniciado em 1818, quando seu autor tinha 16 anos, publicado em 1820, para
atingir sua forma final em 1826.
A ação se passa na Ilha de São Domingos, em 1790,
e relata uma rebelião de escravos, baseados em fatos históricos
ocorridos no Haiti (parte ocidental da Ilha), como a revolução
encabeçada por Toussaint L'Overture, em 1793, ou a malograda campanha
de libertação comandada por Vincent Ogé, três
anos antes.
Primeira ópera brasileira do período republicano, Bug Jargal
é ainda o trabalho operístico de estréia de José
Cândido da Gama Malcher (1853-1921). Patrono da cadeira n.°
24 da Academia Brasileira de Música, Gama Malcher foi aluno de
Eulálio Gurjão em sua cidade natal, Belém do Pará.
Engenheiro formado pela Universidade de Pensilvânia (EUA), Gama
Malcher aperfeiçoou-se em música no Conservatório
de Milão, e organizou companhias de ópera, tendo feito encenar,
no Teatro da Paz, grandes títulos de Carlos Gomes, como Il Guarany
e Lo Schiavo. Foi ele, por sinal, quem influenciou as autoridades paraenses
para, no final da vida, convidar um Carlos Gomes esquecido por todos e
debilitado de saúde a voltar ao Brasil para dirigir o Conservatório
de Belém.
Autor de peças para piano solo, música de câmera,
obras orquestrais e canções, Gama Malcher foi pianista
e regente. Seu Bug Jargal, após as récitas no Pará,
chegou a ser apresentado em São Paulo (Teatro São José)
e Rio de Janeiro (Teatro Lírico, última récita em
3 de março de 1891).
Depois de Bug Jargal, Gama Malcher seguiu compondo óperas.
Sua Iara, com libreto do próprio compositor, mereceu estréia
em Belém, em 4 de maio de 1895, e também foi resgatada pelo
Festival de Ópera do Teatro da Paz, em agosto de 2006.
CULTURA FM
TEATRO DE ÓPERA - O mundo da lírica em obras completas
Dia 24 - 15h
GAMA MALCHER - Bug Jargal. Solistas: Eduardo Itaborahy, Gabriella Pace,
Edinéia de Oliveira, Inácio de Nonno, José Gallisa,
Sávio Sperandio. Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz. Regência.:
Roberto Duarte. Apresentação: maestro Walter Lourenção.
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