Guia do Ouvinte - Julho 2006

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O MELHOR DO FESTIVAL DE INVERNO NA SUA CASA
Cultura FM transmite concertos de Campos do Jordão

Em julho, os mais destacados artistas da vida musical brasileira fazem as malas e enfrentam o frio do Vale do Paraíba. Em sua 37.ª edição, o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão celebra as grandes efemérides musicais de 2006.

Como de hábito, a Cultura FM leva à sua casa o que há de melhor no festival, em transmissões ao vivo às sextas, sábados e domingos. A TV Cultura, por seu turno, realiza a transmissão do concerto de abertura, e também deve gravar algumas das apresentações mais marcantes do evento.

O festival mantém algumas das principais características implantadas pelo maestro Roberto Minczuk (foto) desde queassumiu a direção artística, em 2004, como a escolha de eixos temáticos. "Neste ano, vamos acompanhar as grandes celebrações de 2006, como os 250 anos de nascimento de Mozart", conta o regente.

"Um dos maiores compositores do século XX, Chostakovitch, que tem seu centenário festejado neste ano, será lembrado dentro do contexto da música russa", diz Minczuk. Assim, obras de Chostakovitch vão ser executadas ao lado de seus compatriotas de destaque, como Prokofiev, Tchaikovski, Borodin e Rimski-Korsakov, entre outros.

O cruzamento dos dois eixos temáticos acontece na ópera "Mozart e Salieri", de Rimski-Korsakov, a partir de uma peça homônima escrita em 1830 pelo "pai" da literatura russa, Aleksandr Serguieievitch Púchkin. Antecipando em 150 anos o que o dramaturgo Peter Shaffer e o cineasta Milos Forman fariam na peça e no filme "Amadeus", Púchkin elabora, em seu texto, o mito de um Salieri invejoso que teria assassinado Mozart. A ópera de Korsakov será encenada nos dias 21 e 22, com regência do próprio Minczuk, direção cênica de André Heller-Lopes, e os solistas Stephen Bronk (Salieri) e Fernando Portari (Mozart).

Outro item criado por Minczuk que se mantém neste ano é a figura do compositor residente. O festival tem escolhido um autor brasileiro contemporâneo para permanecer em Campos do Jordão, tendo suas obras tocadas e conversando com os alunos de composição. Em 2004, a honra coube ao pernambucano Marlos Nobre; em 2005, a Almeida Prado, apresentador, na Cultura FM, do programa Kaleidoscópio. Em 2006, é a vez de Edino Krieger, um catarinense de 78 anos que está radicado no Rio de Janeiro há décadas, e que já ocupou a presidência da Funarte e da Academia Brasileira de Música.

"O compositor residente é comum na Europa e nos EUA, mas uma novidade por aqui", afirma Krieger. "Como não sou professor, não vou dar aulas, mas pretendo promover encontros informais com os alunos de composição do festival".

Ele terá várias de suas obras executadas no âmbito do evento, além de ter escrito uma peça especialmente para a ocasião: Ritmetrias - Variações Rítmicas Sobre Um Metro Contínuo, que serão estreadas e gravadas pela Orquestra Acadêmica do Festival (que, no ano passado, foi laureada com o Prêmio Carlos Gomes). "É uma peça de caráter bem festivo", explica o compositor. "Em cima de uma pulsação constante, escrevi diversos ritmos, predominantemente brasileiros, como baião, jongo, valsa e frevo".

Outro autor contemporâneo brasileiro que terá destaque no festival é André Mehmari, 29. Logo na abertura do evento, dia 8, a Osesp, regida por John Neschling, interpreta a Suíte de Danças Reais e Imaginárias, que o compositor escreveu sob encomenda para o concurso internacional de regência que a orquestra promoveu no começo do ano. Trata-se de uma partitura extremamente inventiva, incluindo cruzamentos entre influências brasileiras e européias (como Maracastrava, um maracatu de acentos stravinskianos), cujo ponto alto são as três danças que o escritor argentino Julio Cortázar imaginou em suas Histórias de Cronópios e de Famas: Trégua, Catala e Espera.

Além disso, o festival recebe grupos internacionais de renome, como o Quarteto Borodin (foto), da Rússia, e, da Alemanha, o Quinteto de Sopros da Filarmônica de Berlim e o German Brass. São atrações que não apenas tocam no evento, mas também dividem seu saber com os jovens bolsistas.

"Os artistas não vem aqui para tocar, pegar o cachê e ir embora", afirma Minczuk. "Eles criam vínculos e relacionamentos com os alunos, e deixam sua experiência por aqui". "O Brasil carece de boas escolas de música. Campos do Jordão acaba sendo a melhor escola de música do país, reunindo professores de ponta, que dão aulas nas melhores instituições de ensino do exterior", diz.

Em três semanas, o festival, que vai de 8 a 30 de julho, abarca mais de quarenta apresentações em sete lugares diferentes. Alguns dos melhores grupos sinfônicos do Brasil estarão representados: além da Osesp, sobem a serra a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, Orquestra Jazz Sinfônica, Orquestra Sinfônica da USP, Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, Orquestra Sinfônica de Santo André e Orquestra Sinfônica Brasileira.

A OSB, do Rio de Janeiro, faz, sob a batuta de Roberto Minczuk, uma participação muito especial no dia 15: o pianista Nelson Freire celebra os 50 anos de sua primeira apresentação com a orquestra, tocando a mesma peça que executou naquela oportunidade, o Concerto n.° 9 para piano e orquestra, de Mozart. Freire é apenas um dos grandes astros brasileiros com carreira internacional a se apresentarem em Campos do Jordão. O festival conta ainda com a participação de Jean Louis Steuerman (piano), Antonio Meneses (violoncelo) e Alex Klein (regente).

Confira a programação do Festival.

A programação completa do evento pode ser obtida no site www.festivalcamposdojordao.org.br


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