< Poesia >
Joca Reiners
Programa 54
Exibido em 03/03/2001


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Um apelo contumaz contra o mau infinito.
Poesia também é crítica.



Mau infinito desliza pela Reich Autoban
Murmura alto que no futuro o mundo
Será demasiado pequeno para a guerra

Mau infinito move-se pela auto strade della informazione
E maldiz que na era eletrônica
Todos levaremos a humanidade como nossa pele

Mau infinito é nigromante e prevê que vender um segredo
Não deve ser privilégio exclusivo do estado
E sim de quem o conhece

Entre criptossistemas, aparições remanescentes
E intervenções verbais de caráter globalitário
Tecnoguerrilha e a censura por saturação

Por indiferenciação, ruído e interferências
Babelização, todos falam, ninguém escuta
Cresce uma luz distinta da luz do Sol

A luz dos monitores da televigilância
Mau infinito percorre os corredores da indústria
E brada aos robôs: Já não sois duplos do homem

Sois o ser cibernético, mais Bradibuck ou Gollen
Sereis salvos através do fogo
Pois hoje assiste-se à prática da velocidade absoluta

Eis a catástrofe que tem um valor endossistêmico
Com os clones, chegamos à embricação do maquinário com o orgânico
Com os transplantes, a nanotecnologia pode superar os órgãos

Mau infinito esquece os geno-transplantes animais
E programa células para organismos transgênicos clonados
Mau infinito dá-se a lógica da velocidade em busca do assalto total



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