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Os Mehinaku são alegres e vaidosos.

A aparência da casa é motivo de orgulho para eles.

É a maior coisa que o homem já fez, segundo os Mehinaku. Elas estão dispostas em círculos na Aldeia.

Na praça central fica uma gaiola cônica de varas, com um gavião real pertencente ao chefe.


Existem três tipos de construções, a residência, coberta de sapé, com mais de trinta metros de comprimento, nove de largura e nove de altura, com duas portas: uma saída para a praça e outra para o quintal.

Ao entrarmos numa dessas casas paramos um momento para acostumarmos com a escuridão interna.

 


Uma outra construção é o espaço adicional de trabalho, que fica atrás da casa maior. Corresponde à nossa cozinha.

Ela também é usada por alguns deles como residência temporária de reclusão.

 

O terceiro tipo de construcão fica no centro da Aldeia e é conhecida como a casa dos homens, Kwaukuhe. A sua construção é uma solenidade, que exclui homens de outras tribos e as mulheres.

Nela é guardada a flauta do Jacuí, símbolo de poder e proibida aos olhos das mulheres. Se alguma delas olhar a flauta será obrigada a ter relação sexual com todos os homens da Aldeia, com exceção dos parentes de sangue.


Os Mehinaku contam que um dia, a flauta do Jacuí pertenceu às mulheres. Numa revolta os homens a retomaram . Por esse motivo, o trabalho pesado fica por conta delas.

 




"Nós ensinamos nossa filha desde pequenininha a carregar água sem deixar cair, ir na roça de mandioca, depois carregar a mandioca, ensinamos a fazer o beiju, cozinhar o peixe, porque senão mais tarde ela não vai servir para nada."




Num primeiro momento as mulheres Mehinaku parecem submissas, mas aos nossos olhos elas participam das principais decisões da comunidade.





"Primeiro os homens discutem o assunto lá no meio (Casa dos Homens), depois eles vem falar conosco para que a gente ajude a decidir sobre um assunto importante.

Quando nós concordamos, mandamos beiju para eles comerem."



Algumas mulheres Mehinaku trazem no braco o sinal da liderança . Uma delas é Kaiti, filha do grande chefe Yumuin.


"Esse sinal aqui, a minha avó também tinha e passou para mim. Era a mãe do meu pai. Estou continuando a liderança dela. Isso é um sinal de respeito.


A minha mãe não tem porque a mãe dela morreu antes de passar para ela.



A minha avó me ensinou quando fiquei presa. Ela era muito inteligente e era a chefe dos Awara, meu avô era grande chefe dos Mehinaku. Eles casaram e por isso meu pai é grande chefe.

Minha avó me ensinou a não falar mal das pessoas, a receber bem e se acontecer alguma briga, sou eu quem vai acalmar a mulherada."



Na tradição Mehinaku, meninos, e meninas, ao entrarem na adolescência ficam reclusos num canto da casa. Essa situação pode durar até três anos.

Ou o tempo necessário para que o jovem tome conhecimento das responsabilidades da vida adulta.

 

A reclusão entre os Mehinaku está ligada ao crescimento, à saúde e a mudança de status.


" Nós mães cuidamos das meninas desde a primeira menstruação. A jovem fica dois dias sem comer nada, depois é que ela vai tomar erva e comer peixe. Só então ela pode pegar um banco e sentar e pegar um pente e se pentear. Depois ela dança na lua cheia. Aí ela fica presa até chegar a hora que ela está preparada para a vida adulta."

" Quando eu estava presa, o meu futuro marido foi lá, do lado de fora da casa, onde eu estava e começou a bater papo comigo, através da janelinha. Aí ele se interessou por mim. Pediu para me namorar e depois pediu para casar. O meu casamento não foi acertado desde pequenininha. Meu marido é Parita. Eu tenho 4 filhos: Kamukate, Tomi, Apairiko e Uaua."


"Desde pequeno, quando tem festa na Aldeia, as famílias já acertam os noivados.

Quando crescem, depois do período de clausura, a moça, que já teceu a rede, leva para o futuro marido e ele volta com ela para a casa da família dela."




Os meninos Mehinaku, no período de reclusão aprendem a fazer flecha para caçar e pescar e trabalham a musculatura do corpo.

Diferente das meninas, durante a reclusão, eles podem sair algumas vezes, para se integrar à vida comunitária.



Tudo acompanhado de perto pelo pai, que passa seus conhecimentos ao filho.


Para fortalecer os músculos dos braços e pernas e engrossar o sangue, os pais raspam a pele dos jovens, com um instrumento de dente de peixe cachorro.

Na década de setenta os irmãos Villas Boas documentaram esse ritual, que acontece em aldeias do alto Xingu.


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