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Devoção à Nossa Senhora
de Nazaré
A
devoção a Nossa Senhora de Nazaré remonta ao início
da colonização portuguesa. Em Belém, tomou uma dimensão
maior no século XVIII, por conta de um humilde morador da periferia
da cidade, Plácido José de Souza, que teria, no ano de 1700,
encontrado uma imagem da Santa, às margens do Igarapé do
Murutucu.
A devoção
de Plácido atraiu novos fiéis, surgiram as primeiras histórias
de milagres e assim foi crescendo o culto à Nossa Senhora de Nazaré.
Com a morte de Plácido, foi erguida uma pequena capela em homenagem
à Santa. O governador da província, Dom Francisco de Souza
Coutinho, rendeu-se à devoção do povo e determinou
a realização de uma grande festa com feira de produtos regionais
ao redor da capela.
A
imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi transportada para o palácio
do governo e de lá retornou em grande procissão para a capela.
Isso aconteceu no dia 8 de setembro de 1793, foi a primeira procissão
do Círio, tradição que viria a marcar toda a cultura
paraense e da própria Amazônia.
Em 1866, o carro
de bois que transportava a imagem da Santa atolou na lama e foi preciso
puxá-lo com uma corda. Desde então, a corda foi incorporada
à procissão e tornou-se um símbolo de fé.
Segurar a corda é o sacrifício maior para o fiel de Nossa
Senhora de Nazaré. Descalços, eles caminham todo o trajeto
da procissão - cerca de cinco quilômetros - empurrando-se,
esmagando-se, corpos contra corpos. Muitos chegam ao fim do percurso machucados,
cheios de feridas nos pés, mas realizados por terem cumprido o
sacrifício prometido.
Em 2004, o Círio
de Nazaré completou 212 anos, a corda teve trezentos e cinqüenta
metros. Estima-se que dois milhões de pessoas participaram do Círio,
uma das maiores festas da cristandade.
Veja um trecho da procissão
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