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Parto
de Menina
Em
duas casas mantidas pela Fundação Francisca Franco, no centro
de São Paulo, vinte adolescentes vivem juntas a experiência de
ser mãe. São pouco mais que meninas, algumas com menos de quinze
anos. Vieram das ruas, de outros abrigos, da Febem, de lares desajustados. Algumas
nem conheceram o calor do colo materno. Para muitas, o filho representa o fim
de uma história de abandono, a certeza de que não estarão
mais sozinhas no mundo, o começo de uma família. A história
dessas meninas é a história da maioria das adolescentes brasileiras
vítimas de abandono e sem oportunidade que engravidam antes dos 18 anos.
Em 2000, a Sociedade Brasileira
de Pediatria apontava que, nas duas últimas décadas do século
20, enquanto o crescimento da população do país era de
42,5%, a taxa de gravidez em meninas entre 10 e 14 anos havia aumentado 391%.
A tendência e a desproporção mantêm-se inalteradas
hoje. O parto já é a principal causa de internação
de meninas nessa faixa etária e o principal prodecimento do SUS. As consequências
do exercício precoce da sexualidade são conhecidas. Aborto, abandono
de bebês e proliferação das doenças sexualmente transmissíveis
são apenas as mais graves.
É
para mudar essa história que, nas casas da Fundação Francisca
Franco, todo o trabalho é centrado na preparação das mães
adolescentes para a maternidade e a vida. Em parceria com o governo do estado,
entidades particulares e a renda de imóveis alugados, a Fundação
mantém as meninas e seus bebês até que elas completem dezoito
anos. Algumas estudam e trabalham. Assistentes sociais, psicólogos e
estudantes voluntários dão apoio às mães, ajudando-as
na grande tarefa de criar seus filhos.
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