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Várzea de Dona Joana. No armazém do povoado um retrato de
que a morte também é mercadoria. O caixão pequeno
e branco é artigo de necessidade neste sertão das Alagoas.
"Antes, tinha dia da gente dar cinco, seis caixões e hoje
você dá um no mês, dois às vezes. Tem mês
que você não dá nenhum." - Edneuza Ricardo
prefeita de São José
da Tapera
Três
anos atrás, o índice de mortalidade infantil nesta região
de São José da Tapera
era de 147 crianças mortas para mil nascidas vivas.
Hoje este número
baixou para 65. A redução foi grande, mas ainda é
quase o dobro da média do Brasil: 34.
Um número alto
demais para a Organização Mundial de Saúde: esse
índice não poderia ser maior do que dez.
Foi esse retrato da
morte que atraiu a ong Visão Mundial
para o sertão de Alagoas.

"A Visão começou aqui com um programa que se chamava
SOS Seca. Era um programa de emergência que só veio para
socorrer as famílias no momento da seca maior." - Maria
da Paz Pimentel gerente Visão
Mundial São José da Tapera
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"Não
acredito. 9 quilos e 900."
Quantos anos ela tem?
"Ela tem 4 anos e 2 meses."
Ela deveria pesar quanto?
"Ela deveria pesar 14 a 15 kg."
É um caso de desnutrição de que grau?
"Terceiro."
É o grau mais grave?
"É o grau mais grave de desnutrição."
Ela toma a multimistura?
"Ela toma a multimistura há 8 meses e ela começou
o programa com 8,4 kg, não é, Francisca? Então
eu não sei por que ela não consegue se desenvolver.
"
Ela come a multimistura?
"Ela come bem."
Deixa eu ver uma coisa? A barriga dela? Ela tem vermes?
"Eu acho que tem. Ela comia terra..." - Maria
da Paz Pimentel - pesagem
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Foi Janeide quem fez assim, as palavras se juntarem dessa maneira: quase
o peso de um passarinho era ela, aquela menina de olhos grandes, poucas
palavras e muito encolhimento, como todo menino dos sítios do sertão.
Estamos
chegando na casa dela. Caminho limpo de plantação. Só
a caatinga seca e cinza e a estrada branca de tanta areia.
Aqui onde o vento
é forte e o silêncio é grande fica a casa de Janeide.
A
chuva se derrama longe deste céu.
As janelas são paisagens na parede. Retratos de tanta lonjura.
Aqui vive Janeide com os pais e sete irmãos.
Aqui onde o vento é forte e o silêncio é grande.
E quando você viu a Janeide assim, você foi vendo o
desenvolvimento dela... o que você achou?
"Esse patrocinador, desde que acabou o projeto SOS Seca, ele ficou
sempre mandando recurso. E esse recurso a gente sempre empregava em alimentação
para a família. A gente comprou cama, colchão, brinquedos.
Ela não tinha nenhum brinquedo, ela não tinha uma boneca,
ela não tinha nada, ela nem sorria. Hoje a gente vê Janeide
sorrindo. Ela é muito mais feliz. Tem onde dormir, diz pra todo
mundo que a cama é dela, que o colchão é dela, que
foi o padrinho dela que deu." - Maria da Paz Pimentel
gerente Visão Mundial
Como é que ela se desenvolveu assim tão bem?
"Não sei se foi mó de a massa, acho que foi mó
de a massa."
A multimistura?
"Sim, senhora." - Benedita dos Santos mãe
de Janeide
"A
Janeide conseguiu um patrocinador de muito bom coração e
assim sempre ele está mandando essas doações e a
Visão Mundial está tentando desenvolver economicamente o
futuro dela. Então, a gente comprou animais, são duas cabeças,
e daí mais pra frente, com certeza, Deus vai ajudar ela a ter muitas
cabeças pra ter um futuro bem mais brilhante." - Maria
da Paz Pimentel

Segunda
parte do programa Quase o Peso de um Passarinho - Dois Anos Depois
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