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Nova Olinda (CE) - segunda parte
Ricardo Soares
 


Uma paisagem como esta você não pode supor que seja uma paisagem cearense. Atrás dessa ponte e atrás do Vale do Cariri, na Chapada do Araripe, existe uma porção de lendas. Atrás dessas lendas é que também se desenvolve o trabalho de Alemberg Quindins e sua mulher na Fundação Casa Grande, que a gente está vendo no programa de hoje.

"Essa região é chamada de Vale do Cariri porque a primeira tribo que habitou nessa região foi a tribo de índios Kariri, aí foi conservado o nome Cariri, tem Cariri com C que é Cariri cidade e Kariri com K, que é Kariri da tribo de índios. Aí temos aqui fotografias de pinturas, de cavernas, de vários lugares aqui da região, a gente junto com os meninos da escolinha já teve oportunidade de visitar alguns lugares como esse daqui é em Santa Fé, no Crato, que é pertinho daqui, aí os meninos vão visitar pra tomar mais conhecimento como eles estudam isso, pra eles aprenderem mais a gente leva eles nos sítios onde são encontradas esssas coisas." - Tamyres


"Nós estamos entre o Piauí e o Pernambuco, porque a Chapada do Araripe fica na divisa entre quatro estados, de um lado Ceará, do outro lado o Pernambuco, o Piauí e uma parte da Paraíba, então as pinturas chegam no Cariri através da fronteira com o Piauí, então a gente encontra as primeiras itaquatiaras nessa região, elas vem passam pelo sopé da Chapada do Araripe e vão até a divisa com a Paraíba. Nós estamos bem mais próximo do Piauí." - Rosiane Limaverde - diretora de pesquisa


Ainda na Fundação Casa Grande...

"Antes nessa sala funcionava a sala de jantar, mas hoje está funcionando a sala de lendas, onde são contadas todas as lendas da região e também dizendo o local onde fica e temos fotografias das lendas ...




Essa é a lenda da ponte de pedra. No sítio Olho D'água de Santa Bárbara existe uma ponte. Conta a lenda de um dia ter sido ponte de acesso ao portal de um castelo que se encantou, essa ponte é protegida por uma princesa encantada com corpo de serpente, mas cara de mulher."
- Tamyres





O que é lenda? O que é verdade? A Nova Olinda da Fundação Casa Grande fica bem pertinho da Juazeiro do Padre Cícero.






É apresentada a peça da meninada da escola de comunicação e acontece um papo descontraído com todos...

 

— Como chama a peça?
"O Repertório. A gente está utilizando a música pra falar de uma coisa, porque hoje em dia a gente recebe muita coisa, mais ou menos de graça, um produto seja música, roupa, que a gente não sabe nem de onde é que vem. A gente acaba que tem que consumir desesperadamente aquela coisa e as vezes nem serve pra gente, a não ser para alienar." - Marcelo Oliveira - diretor da peça


— Que recado vocês tem pra mandar?
"Veja bem o que é que você está levando pra sua casa, o que você está consumindo, o que você está ouvindo, o que você está vestindo, se aquilo realmente é bom pra você ou então se você está servindo a um sistema que você nem sabe o que é." - Marcelo




"A questão das pessoas acharem que o corpo é mais importante, que a bunda tomou a função até da cabeça de pensar, criou uma geração inteira com cabeça de bunda. O problema no Brasil é esse porque não existe mais programas inteligentes, não existe mais peça, nem música inteligente que provoque o pessoal a pensar." - Samara



"A rádio, não é que a gente esteja mostrando que isso que a gente gosta é bom e o que você gosta é ruim, então a gente vai mostrar uma variedade de coisas, dar mais opções, e coisas que tenham sentido, que tenham história, então a rádio toca e explica porque está tocando, então a pessoa vai concluir aquilo ali, só que esse é um processo que demora um pouco, mas a Casa Grande FM já tem conseguido muita coisa boa."
- Marcelo

"E a questão de multiplicar o que a gente está aprendendo aqui de repassar, eu digo assim, aqui tem vários exemplos, aqui mesmo na roda que já entrou na Casa Grande porque foi convidado por outros amigos Daiany entrou aqui porque foi puxada por Meires" - Samara

Tamyres apresenta mais uma parte da Fundação Casa Grande...


"Esta é a Casa Grande Editora onde são produzidas revistas em quadrinhos, jornal e outras coisas e essa é Mêires a gerente da editora." - Tamyres



"Aqui na editora a gente faz revistas em quadrinhos, agente desenha, escaneia, passa para o computador, pinta no computador, faz toda a diagramação e aqui é o produto final das revistas em quadrinhos que a gente produz na editora. A gente não tem financiamento pra distribuir, então por enquanto a gente só está produzindo aqui na Casa Grande pra depois distribuir."
- Mêires Moreira


Continuamos nossa caminhada pela Fundação ...

"Aqui funciona a biblioteca e essa é Daiany, gerente da biblioteca." - Tamyres





"Eu sou a recepcionista da biblioteca e vou dizer a vocês a maneira que a gente organiza nossos livros, nosso acervo: aqui nós temos a videoteca que são vídeos educativos pra meninada assistir; e logo ali nós temos a gibiteca que são gibis, literatura infantil e juvenil; e também livros de história falando sobre os grandes personagens da história como Getúlio Vargas e outros.

A Casa Grande, eu resumo numa coisa: um futuro muito melhor, eu resumo nisso, a Casa Grande eu não sei nem explicar, pra pessoa que mora numa cidade pequena que não tem outra opção de vida melhor eu aconselho a Casa Grande porque na Casa Grande a gente conhece o mundo dentro da Casa Grande." - Daiany Feitosa - recepcionista da biblioteca / estudante

 




Volta a conversa com o pessoal da peça ...

"Nós é que estamos tentando modificar a mentalidade até de nossos pais e a partir da gente eles estão tendo outra visão que não tinham antes." - Luciano Brito



"Porque já existe até pais que já estão dentro do projeto, que fazem parte da diretoria do projeto, por exemplo a mãe de Samara é diretora pedagógica do projeto." - Miguel Barros Filho

"E nem deixava eu vir ... aqui está a minha mãe que é diretora pedagógica e que não me deixava vir aqui para o projeto." - Samara


— Você é professora?
"Eu sou professora." - Maria Macêdo de Freitas - Diretora Pedagógica / mãe de Samara

— Como é essa história ... de você não deixar a filha vir e hoje você está dentro da Casa Grande, virou diretora, como é que foi essa transformação?

"Começou assim, eu era admiradora da Casa, eu vi quando Alemberg estava começando com o projeto, sempre admirava o projeto deles, aí quando Samara começou a andar pra cá , sem que eu soubesse o que ela estava fazendo aqui. E nós sempre, por causa da cultura do lugar a gente tem que ter a filha em casa do lado da mãe, aprendendo o que a mãe tem que fazer na cozinha, que é futuramente não dar trabalho aos maridos, então, é aquela cultura de aprender a fazer as coisas na cozinha. E quando ela saía de casa, aí o pai dela, sempre machão,dizia assim: -Cadê Samara?, e eu dizia assim: -Está na Casa Grande, ele falava: -Vá buscar. Ela ia, quando eu pensava que não, ela estava aqui na Casa Grande novamente. Depois que ela conversou com o pai, porque antes não havia diálogo aberto como hoje há, que as vezes eu até admiro como foi que ela conseguiu isso, de ter esse diálogo tão aberto com o pai dela, de chegar e discordar, porque discordar do pai, Ave Maria, era uma coisa que não existia.

Através dela eu comecei a vir aqui ver o que eles estavam fazendo, o que realmente eles estavam fazendo aqui na Casa Grande. Quando eu comecei a vir, eu trouxe o pai, ele começou a ficar envaidecido, aí depois eu comecei a trazer a família toda, que minha família é de Crato, meu pai tinha muito orgulho disso."
- Maria, mãe de Samara



"Os meninos na Casa Grande sempre tiveram um papel muito importante de ver o que é que quer que a Casa Grande seja, eles chegaram aqui por conta deles, não foi pai nem mãe de nenhum que trouxeram, e eles começaram aqui dentro a desenvolver atividades e eles se fizeram diretores da Casa.



Pra isso nós buscamos apoio e parcerias com o governo do estado do Ceará, nós temos parceria com o Instituto Ayrton Senna, com Unicef, com o governo municipal.

A Casa Grande, na verdade, é um grande espaço de brincadeira, e o mote da brincadeira é a comunicação que vem desde a pré-história, desde a pré-história que o mundo já procura se comunicar."
- Alemberg


"Eu tenho a impressão, eu acho que eu sonho junto com Alemberg que de repente nós possamos aqui nesta pequena cidade termos até uma Universidade de Comunicação. Então, eu acho que Nova Olinda tem potencial, e um potencial que vem derivado da Casa Grande." - Fábia Brito - prefeita de Nova Olinda



A Prefeitura de Nova Olinda também é parceira da Casa Grande, repassando de cinco a seis salários mínimos por mês para a Fundação.


"As crianças não estão aqui aprendendo comunicação, não estão aqui aprendendo a fazer um jornal, é muito além disso, estão aprendendo a conviver umas com as outras, a se respeitar, estão convivendo até responsabilidades. Eu acho que isso é o exercício de convivência, o exercício delas com elas."
- Clarissa




"Hoje, Nova Olinda deixou de ser dos livros de história pasto de gado do colonizador e passou a ter um homem desde a pré-história, então, isso deu à cidade, à população, à meninada uma auto-estima de conhecer sua própria origem, de saber de onde veio."
- Rosiane


Todos reunidos cantam:
"Eu vi mamãe Oxum na Cachoeira"




Ficha Técnica e Discografia



Veja a primeira parte do programa A Meninada do Sertão

 

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