|
"O
nosso objetivo maior é incentivar o trabalho voluntário
e consolidar essa cultura do voluntariado no nosso país, especificamente
na cidade de São Paulo. Nós
não temos essa prática muitas vezes por não saber
como fazer, aonde ir, qual a organização social idônea
aonde eu possa dedicar o meu trabalho. Então, o Centro surgiu para
que pudessemos orientar essas pessoas. Olha, a criatividade não
tem limite, cada um tem que inventar um jeito de ser voluntário."
- Maria Amália MUneratti - Coord. Centro de Voluntariado de
São Paulo
Toulouse
já está atrasado, amarrado no trânsito. Chiquinha
está apressada para sair de casa. Eles estão indo para o
trabalho: são cachorros terapeutas. A tarefa é divertir
crianças doentes numa entidade assistencial.
Priscila é
zootecnista e adestradora de cães. Ela sempre quis fazer um trabalho
voluntário e achou um caminho dentro da sua profissão.
"A
gente está montando uma ong, a idéia é colocar todos
os trabalhos que os cachorros conseguem fazer pela sociedade. (...) Por
que os cachorros têm essa qualidade de estimular a socialização
entre as pessoas que estão em volta, sabe? Você coloca um
cachorro ou qualquer outro animal numa sala, as pessoas interagem mais."
- Priscila Lotufo - zootecnista e voluntária
Enquanto Toulouse e a Chiquinha brincam lá fora, Maria Helena frita
bolinhos de chuva. Ela
também é uma voluntária.
"Foi
uma coisa útil, como eu fico sozinha o dia inteiro, eu procurei
alguma coisa para fazer, então eu procurei ser voluntária."
- Maria Helena Bernardes - voluntária
Maria Helena vem três
vezes por semana cozinhar nesta casa. Aqui chegam, de toda parte do Brasil,
crianças com câncer, que esperam tratamento em hospitais
públicos.
"Eu
perdi um marido com câncer, então eu achava que ele foi muito
novo, com 55 anos e não é isso, tem criança mais
nova que já foi embora. Então é uma coisa útil
que eu achei. Eu tomava oito comprimidos por dia de depressão,
aí eu comecei a frequentar aqui, agora eu não tomo nenhum,
é um alívio sabe, é uma alegria..." - Maria
Helena
Simba,
Thor, Luna, Cocó, Batatinha, Cainá. É domingo e eles
vieram visitar os idosos do asilo Ondina Lobo.
Luna anda pelo asilo
procurando novos carinhos. Cocó está atordoada não
encontra o colo que perdeu. Batatinha é resignada: passará
de colo em colo e manterá a mesma tristeza.
"A
gente sente a necessidade de fazer alguma coisa, esses nossos amigos aqui
sentem falta de carinho, sentem falta de atenção, os cachorros
são muito sinceros e eles proporcionam isso de uma forma bem carinhosa
e também é um pretexto: o cachorro vem e a gente acaba ficando
amigo deles também, então é uma união nós,
donos dos cachorros, os cachorros e esses nossos amigos aqui." -
Roberto Crivelli Jr - designer gráfico
"Tenho
saudade do tempo da infância, né? Linda, linda, linda, é
linda..." - Ana Pikchelis - contadora
Ana e seus dois irmãos moram no asilo para pessoas carentes há
16 anos.
"O plano Collor
bloqueou o dinheiro da compra da nossa casa, era uma herança que
nós tinhamos de receber, vendemos numa hora má. Ficamos
sem casa, e eu, brasileira, sem casa, não me conformo." -
Ana Pikchelis
"Se
eu pudesse, teria todos os cachorros comigo. Adoro. (...) Não,
eu não recebo visita de ninguém. Eu recebo vocês e
outros acompanhantes que vem aqui visitar a gente. Mas da minha família
não tenho ninguém pra vir me visitar aqui." - Maria
do Carmo Fernandes
"O
animal nada mais é do que uma ferramenta de vida da gente. Hoje
em dia as pessoas estão percebendo que eles são parceiros
de tratamento, parceiros de amizade, de solidão."
Por que você
acha que o encontro dos cachorros com os idosos faz bem?
"Muito bem, faz bem para o idoso, para o cão e para a gente
que está trazendo o cão." - Jerson Dotti - executivo
e voluntário
"A gente precisa
carinho, né?, todo mundo precisa de uma pessoa, precisa de carinho,
toda pessoa precisa de carinho, né?" - D. Balduína


Veja
a segunda parte do programa Voluntário: Destino de Cidadão
|