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"Bom,
a gente tem uma faixa etária de 12 a 17 anos, tem que estar estudando,
não importa a série, mas assim, a escola é fundamental,
esteja a escola do jeito que estiver, é a escola que temos e nós
precisamos dela. E acima de tudo tem que ser um adolescente inquieto,
né? Inquieto com a sua situação, inquieto com o mundo,
querendo saber mais e com uma disposição pra estar passando
as coisas, porque o número de jovens que nós atendemos é
pouco." - Carla
Carla
Lopes, hoje coordenadora do núcleo de teatro é uma cria
do Cria. E assina a sua primeira direção teatral, justamente
a peça Diálogos.
"Eu fui procurar
um "que" a mais no teatro, então, eu fiz uma oficina de teatro
com a Maria Eugênia, que é a coordenadora geral do Cria,
antes dela criar o Cria e era um teatro diferente, porque a gente fala
da gente, a gente fala da dor da gente e a gente aprende a transpor essa
dor. E, nesse teatro eu me vi mulher, eu me vi negra, eu me vi cidadã,
de belezas e feiuras, e me descobri educadora, foi a partir daí
que veio a necessidade de fazer educação." - Carla
"Primeiro
da gente estar aprofundando essa metodologia de arte educação
agregada a uma pedagogia que vai sendo criada, né? Ela vai sendo
construída, na realidade, por toda equipe do Cria, que é
uma pedagogia que agrega o fazer coletivo, parceria entre o jovem e o
adulto, e tá identificando os espaços de atuação
do jovem dentro da própria instituição, garantindo
esse espaço de atuação protagonista. E, também
no que tange aos conceitos, a gente tem alguns eixos de trabalho, como:
sociedade, trabalho, etnia, a questão da sexualidade. A gente já
tem alguns conteúdos previamente, que são trazidos pela
peça e são os conteúdos que são trabalhados
na formação, mas é importante que esses conteúdos
sejam renovados a cada ano, com novas abordagens, novas informações.
São esses aspectos que eu vou buscando e incorporando na formação
das assistentes e orientadoras para que elas possam trabalhar mais diretamente
com os jovens." - Léo
Teatro, palavra, poesia. Dentro do cria cabem todas as manifestações
poéticas para passar um recado ordenado ou desordenado sob a batuta
do professor Zeca.
"Começou
com um curso de verão que no início desse ano eu vim fazer
no Cria, o curso deu certo, foi legal e a gente viu que é muito
importante para esse trabalho do Cria de informar cidadãos, essa
busca, esse encontro com sua expressão poética. Aí
começa um trabalho difícil porque a gente acha que forçadamente
poesia é literatura, e aqui a gente vai fugindo um pouco disso,
poesia é a expressão natural da sua sobrevivência,
a literatura pode até acontecer, mas nós não temos
aqui o compromisso de fazer literatura, nós temos o compromisso
de descobrir qual a nossa expressão poética, qual a nossa
maneira de se relacionar com o social da maneira que ele é."
- Zeca
"Meu
nome é Gutemberg, Gutemberg Santana, tenho 19 anos e já
tem quatro anos que eu sou do Cria e, é assim a oficina de poesia
está fazendo um ano agora, já teve uma oficina em janeiro
no outro ano, eu participei da oficina , nem sabia muito o que era poesia,
e nem sei ainda. Não me pergunte que eu não sei, porque
poesia é pergunta, né?" - Gutemberg
"Faço
parte do movimento hip - hop de Salvador e uma coisa que me estimula a
escrever ... tenho uma banda de rap, eu e minha irmãzona aqui."
Como é que chama a banda?
"Realidade à Vista. É uma certa necessidade, que nós
adolescentes temos de estar falando da realidade da periferia" -
Jamile
"Eu
sempre falo que eu ganhei um presente quando entrei no Cria, porque o
Cria está sempre querendo renovar, tá sempre procurando
coisas novas. Assim, como uma mãe, um pai que está sempre
querendo o melhor para os seus filhos. Acho que foi um presente quando
eu entrei no meio de uma seleção, que a filha do seu Zeca
entrou. Quando o seu Zeca veio a gente acabou criando um novo ídolo,
porque a gente sabe que ele escreve coisas maravilhosas e aqui a gente
teve essa opção, tanto no Cria como na poesia de lidar com
pessoas diferentes. Aqui tem gente que chora , tem gente que ri demais,
e, lidar com o diferente é difícil." - Mirtes
"Coibi, Jacoreco,
Iara, essa terra tem dono falava os Tapuias, os Tupinambas, os Tupis,
os Tupiniquins, os Tamoios, os Botocuros. Veio a bandeira lusa seqüestrou
a terra e misturou tudo e aí de repente a gente cai no Nordeste."-
Zeca
"Conheci um
trio de adolescentes do Cria que trouxe a face de um novo mundo, que realmente
cria os adolescentes de uma outra forma, de uma forma não estereotipada,
faz aquele lance do adolescente multiplicador e isso foi passando, foi
passando e eu participei do Miac esse ano. O Miac é uma grande
rede de comunicação e lá tinha uma oficina de palavra
e, eu fui parar sem querer na oficina da palavra." - Sueide
"Amei
porque aqui eles tratam os adolescentes de uma forma, aquela forma, se
o adolescente faz uma coisa errada, a sociedade diz "pô que
infantilidade, você é uma criança", mas se você
faz uma coisa certa "pô parece com não sei quem que
é adulto", mas aqui não, a coisa boa é do adolescente
e a coisa ruim é também do adolescente. Então, essa
forma de levar o adolescente, de acolher é muito importante, é
muito legal e além disso é o fato de você estar levando
a poesia para a rua, a poesia para a praça. Eu moro em Paripe e
lá, é muito triste saber que eu venho pra cá, mas
a minha rua toda não pode vir, é muito triste saber que
em vez de poesia, eles estão ouvindo tiro. É muito triste
saber que eu vou sair daqui correndo pra pegar um ônibus, demorar
uma hora pra chegar em casa, e vou ter que entrar na minha casa correndo
porque senão, não os marginais, mas a polícia pode
me matar. Porque os marginais que moram lá, conviveram comigo,
então, eu venho de uma vivência, que na semana passada duas
pessoas morreram na minha porta. E, o fato de estar levando isso para
as pessoas que estão do meu lado, com meus irmãos que não
podem estar aqui é muito importante, isso é uma nova renascência
da revolução, é isso, não é você
ir pra rua matar. Essa é a minha guerra, a minha guerra é
levar a educação, e, se aqui a gente tem esse espaço
para multiplicação, pra levar para as pessoas que não
sabem disso, então é a glória." - Sueide
Quantos anos
você tem?
"Dezesseis"
- Sueide

Veja
a segunda parte do programa Cria da Bahia
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