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Lago
do Junco, comunidade de Ludovico. Aqui a palmeira do babaçu
é livre. A terra não é das quebradeiras, mas elas
podem entrar e sair quando quiserem.
E todos os cocos que
pegarem será delas.
Quer dizer, quando
ganham 42 centavos no quilo do coco, não precisam mais dar a metade,
21 centavos, para o dono da fazenda.
"Antes
a gente era sujeito a quebrar e depois de quebrar ainda enfrentar o fazendeiro,
enfrentar o vaqueiro, enfrentar. Ir lá fazer o empecilho das derrubadas,
então para a gente é uma mudança muito grande, muito
embora economicamente a gente não sinta grande evolução,
mas só o fato da gente dizer a palavra babaçu livre, para
entrar e sair, coletar e quebrar, já é uma mudança
grande." - Maria Alaídes
A grande maioria dos fazendeiros dessa região não vive do
babaçu. Muitos vão transformando suas terras em pastagens
para o gado. E o babaçu, que brota naturalmente nessa paisagem,
vai sendo expulso pelo capim.
O coco livre é hoje uma lei municipal em três cidades: Lago
do Junco, Lago dos Rodrigues e Esperantinópolis.
Essa conquista faz
parte de um longo processo de luta das quebradeiras, que inclui a preservação
da palmeira do babaçu, na paisagem do Maranhão.
Nessa luta fizeram
várias parcerias.
Luciene é coordenadora
da Assema - uma associação
que trabalha na organização de novas alternativas de renda
para quem vive de quebrar coco no Maranhão.
E é viajando
no pau de arara que ela percorre as comunidades da região.
"Uma
primeira coisa que a gente espera é que elas de fato consigam um
livre acesso. Elas já têm conseguido algumas leis municipais...
Então a gente espera que possa conseguir em nível do estado
a lei de livre acesso aos babaçuais. Nossa esperança é
que nossa sociedade brasileira conheça essa história, conheça
essa realidade viva e possa apoiar essas mulheres a sair dessa situação
de exclusão que é muito forte." - Luciene
"Ninguém
escuta meu grito, desconhece o meu sufoco, escondida lá no mato,
com fome quebrando coco..." - Dió

Essas mulheres quebradeiras de coco do município de Ludovico,
além do coco livre conseguiram montar uma fábrica de sabonetes
e através de uma Cooperativa, uma fábrica de produção
de óleo de babaçu.
Para
montar a fábrica de sabonetes elas
receberam oitenta mil reais do Unicef, com isso construíram a sede
da fábrica e compraram alguns equipamentos.
Babaçu livre,
o sabonete. O melhor óleo, da melhor palmeira. Do Maranhão,
para a Inglaterra, da Inglaterra para Paris, Nova York, Milão,
para todo lugar elegante onde existir uma loja Body Shop.

A indústria de cosméticos Body Shop, com lojas no mundo
inteiro, há cinco anos, compra vinte e cinco por cento de toda
produção de óleo das quebradeiras de coco de oito
povoados.
"Não fosse a compra da Body Shop a gente não tinha
sobras que está tendo para ser repassada para a quebradeira todo
final do ano. Antes da venda da Body Shop a cooperativa não saía
do vermelho." - Maria Alaídes
A indústria
Body Shop paga para as quebradeiras do Maranhão o dobro do preço
de mercado, pelo litro do óleo de babaçu. Isso faz parte
da política da empresa que dá preferência a pequenos
produtores que tenham história de luta no seu trabalho.
"Como
é o caso do pessoal de Gana, é o caso das quebradeiras,
é o caso do pessoal que trabalha com fibras, caso das indianas,
que fornecem flores... São essas pessoas que enfrentam mesmo o
dia a dia, enfrentam o fazendeiro, enfrentam a poluição,
enfrentam derrubadas, desse pessoal que eles priorizam comprar a produção."
- Maria Alaídes
A fábrica de sabonetes ainda está longe de dar lucro, é
a fábrica de óleo, criada há nove anos, que garante
uma renda maior para as quebradeiras. Em média cada uma das cento
e trinta e oito associadas da Cooperativa recebe quinhentos reais por
ano.
"A cooperativa mudou principalmente o nosso modo de viver, né?
Antes, pra gente quebrar um quilo de babaçu era muito barato, não
representava nada. Hoje representa, bem dizer, a economia da casa. É
o babaçu." - Antônio
Firmo - Gerente

Para a reforma do prédio e a compra das máquinas as quebradeiras
tiveram apoio do Ministério do Meio ambiente, e de diversas ongs
estrangeiras: Miserior e Pão para o Mundo, da Alemanha, Terre des
hommes, da Suiça, e Nuskin dos Estados Unidos.
"Olha,
há oito anos atrás as nossas comunidades viviam como se
tivessem adormecidas, né? Não tinham conhecimento de nada,
de nada."
Não
tinha estrada?
"Primeiro
é não tinha estrada, a estrada foi depois da Cooperativa
para poder escoar a produção, né? Não tinha
condição de tirar essa produção na estrada
sem ter a estrada, né?"

"O meu sonho é que nós possam ter tudo o que gente
pobre precisa, né? Nós somos pobres mas nós temos
direito de viver uma vida digna e essa vida digna se encontra junto com
todos, a gente sozinho não pode fazer nada." -
Sebastiana
Ferreira - Moça

Veja
a segunda parte do programa Quebradeira, Destino de Mulher
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