Nossas Línguas BrasileirasAyoyê - segunda parte Neide Duarte |
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No Xingu os mitos ainda estão vivos, servem de inspiração para a vida. Não viram estátua, estão sempre se transformando com o tempo, senhor das mudanças.
Antigamente não
existia branco.
Os índios não
se sentem vítimas. São responsáveis pelo próprio
destino.
Para cuidar das fronteiras e do entorno do parque do Xingu o Instituto Sócio Ambiental, em parceria com a Atix - Associação das Terras Indígenas do Xingu, Funai e a Rainforest, uma ong da Noruega, trabalham para que os próprios índios façam a proteção e a vigilância das fronteiras.
Quando chegaram nessas
terras estavam doentes e famintos. Melobô viu um a um 4 de seus
filhos morrerem de malária e outras doenças.
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Sabem ter pena de
nós ao descobrir que moramos em São Paulo. Nestes tempos de mudanças
os índios, com ajuda do ISA, da
Funai e da Associação Paulista de Apicultores vão
buscando alternativas para viver melhor.
"O que eu
falo é que eles não vão ficar ricos com o mel. Mas
alguma coisinha dá pra comprar, chinelo, uma linha, uma munição."
Por que você
gravou a história Korô? Os velhos da aldeia
vão cumprindo seu destino. De ser os que sabem, guardiões
de significados. Opoekê vai contando suas histórias para
meninos que escrevem, que transformam suas palavras em novos símbolos.
Melobô o cacique
pajé, a nosso pedido, faz uma pajelança, uma cura para melhorar
a gripe do seu neto. Ele é o último pajé dos ikpeng.
Nunca mais haverá nenhum. São precisos 7 pajés para
formar um novo, na tradição dos ikpeng. "Eu sei tudo,
eu sei fazer a chuva cair, chamar o vento forte, temporal forte, né?
Sabe fala a língua dos peixes, rios. Sabe falar a fala deles os
espíritos." - Melobô Ayoyê, como
se diz na língua tupi, eu estou indo de você.
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