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Essa
terra tem palmeiras onde pousam as araracangas. As aves que aqui gorjeiam
não o fazem como no sul. Essa terra tem mais águas, ao redor
delas mais palmeiras de onde tiram o açaí. Beleza parecida,
pode ser vista, mas nunca igual a daqui.
A
terra tem clima quente, umidade superlativa do ar, fica mais no hemisfério
norte, tem proximidade com o mar. Nos igarapés andam os búfalos,
muitos peixes e o guará.
Aqui tem farinha amarela, um peixe chamado filhote, essa terra é
o Amapá.
Que o Brasil não conhece o Brasil ninguém duvida. E Macapá,
capital do Amapá, é a prova disso. Ausente da mídia
e das verbas federais seus 250 mil habitantes sabem onde fica o Brasil
da televisão. Mas o Brasil que vê televisão ainda
não os descobriu.
Para sorte e para
azar deles. Antes de nossos caminhos nos levarem ao Arquipélago
do Bailique vamos a um rápido passeio por uma cidade que os
brasileiros não conhecem. Macapá. Uma cidade cujo som que
se ouve nas ruas pode ser tão inusitado quanto este que se ouve
aqui.
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Fortaleza
de São José de Macapá - Iniciada
em 29 de junho de 1764, durante a gestão do Marquês
de Pombal, influente primeiro - ministro do reino de Portugal.
Era estrategicamente
importante para garantir o domínio sobre as terras conquistadas
na região norte da colônia brasileira. Inaugurada em
19 de março de 1782, dia de São José. Restauração
concluída em julho de 1997.

Aqui passa a linha do Equador. Marca a latitude zero. No estádio
Zerão um lado do campo fica no hemisfério sul e outro
no norte, onde fica a maior parte do estado do Amapá.
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Quilombo do Curiaú.
600 pessoas, área de 3600 hectares.
Sebastião
Menezes da Silva, "Sabá", escreveu um livro sobre o Curiaú,
onde nasceu e pretende morrer.
"Os nossos descendentes, a gente deve ter quase umas 1500 pessoas
porque parte do pessoal ali do Julião Ramos, são tudo descendente
do Curiaú. A comunidade é composta só de negros descendentes
de escravos. Então nós viemos dessa geração,
só que hoje já temos gente já de cor mais clara por
causa que já tão misturando o sangue. Mas em princípio
a maior parte ainda somos negros mesmo." - Sebastião
Menezes da Silva, "Sabá"
E procuram
manter as tradições....
"É, as tradições culturais, as religiosas,
as nossas festividades que nós não devemos deixar terminar
de jeito nenhum." - Sebastião Menezes da Silva, "Sabá"
Uma
das meninas dos olhos dos moradores esclarecidos de Macapá é
o IEPA, Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas
do Amapá. Antes de ser um cartão postal da cidade, é
a partir dele que se pode ter uma visão detalhada do zoneamento
ecológico econômico do Amapá, este quase desconhecido
estado brasileiro de 143 mil quilômetros quadrados, que não
chega a ter meio milhão de habitantes e mais de 90% de sua vegetação
nativa preservada.
O IEPA é um dos parceiros que nós vamos encontrar hoje nos
nossos caminhos que vão nos levar ao Arquipélago
do Bailique, onde fica a Escola Bosque.
"Aqui
é uma coleção científica de vertebrados e
invertebrados, cujo objetivo é manter um banco de dados como referencial
da biodiversidade do Estado do Amapá. Olha além dos 12 mil
exemplares de insetos, nós temos também aqui uma coleção
significativa de peixes exclusivas de ambientes de lagos...Temos também
uma coleção científica de aves.
Nós temos
em torno de 5 mil eemplares de aves, divididas na mais variada ordem,
sendo que os ecossistemas mais representativos onde foram coletadas essas
aves, é de manguezais e ecossistema lacustre." - Nonato
Souto - divisão de zoologia do IEPA
Mais
do trabalho do IEPA nós vamos ver daqui a pouco no Arquipélago
do Bailique para onde estamos indo agora, subindo o Rio Amazonas para
encontrar a floresta e a Escola Bosque.
Ela é um projeto educacional que faz parte do Programa de Desenvolvimento
Sustentado do Amapá e visa, acima de tudo, integrar o homem com
seu ambiente e cultura.
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