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"Então nós vamos fazer o bolo de casca de banana. Para
esse bolo nós vamos precisar: 2 xícaras de casca de banana
picadinha, meia xícara de água(...)
Depois eu vou precisar de 100g de margarina, 4 gemas, 2 xícaras
e meia de açúcar..."
- Ana Maria
Receita - Bolo de Casca de Banana
2
xícaras de casca de banana
1/2 xícara de água
100g de margarina
4 gemas
2 xícaras e meia de açúcar
3 xícaras de farinha de trigo
4 claras em neve
2 colheres de sopa de fermento em pó
1 colher de sopa de canela em pó
As bananas são
para as tortas, as cascas são para os bolos.
Quanto vocês
produzem de casca de banana por semana?
"São
4 toneladas, aproximadamente, por semana. (...) Nós doamos apenas
cerca de 300 quilos para o Mesa SP."
E o que vocês fazem com as 3 toneladas e meia que sobra?
"Infelizmente
nós jogamos no lixo, não conseguimos nenhuma outra instituição
pra poder fazer a doação." - Gabriela Peixoto da
Silva - engenheira de alimentos
E no que o alimento tem de sagrado acontece a multiplicação.
"Eu
ajudo uma parte, que são uma média de 200, 250 por mês,
só que essas pessoas estão ajudando outras e essas outras,
mais outras.
Então quer dizer, a gente está ajudando muita gente a não
passar fome e a não jogar as coisas fora também."
- Ana Maria DAngelo
O
Turista Hotel já acendeu suas luzes. Noite de história em
quadrinhos, de um natal antigo, de luzes desfocadas, meio sujas no seu
brilho.
Tudo parece falso: meia realidade, meio nascimento. Um pouco da tua casa,
um pouco do teu prato, uma saudade sem importância.
"Vai
passar na TV? Então deixa eu falar assim: mãe, não
se preocupe comigo, eu estou bem aqui dentro do albergue."
É Vida
o nome do Albergue, nos baixos de um viaduto do Brás. Este
é um dos lugares aonde vieram: as abobrinhas, as claras de ovos,
as cascas de bananas.
Quem são as
crianças que vêm pra cá?
"Elas são crianças e adolescentes de rua, em situação
de rua, na faixa etária de 0 a 17 anos. Evadidos da casa, da escola,
em fim fora do convívio da sociedade que nós chamamos de
normal." - Geni Cordeiro dos Santos - Assistente social do
Albergue Vida Centro Comunitário da criança e adolescente
Uma luz forte insiste
e se derrama, um menino e sua sombra, e as janelas que não param,
que não param, que não param.
Quantos anos você
tem?
"Eu tenho 13."
Por que você está aqui?
"Porque eu fugi de casa."
Quantos anos
você tem?
"Tenho
11."
Por que
você está na rua?
"Porque
eu não queria ficar na minha casa, meu pai me batia."
O que você fica
fazendo na rua o dia inteiro?
"Quer que eu fale mesmo? O que nós faz? Fuma maconha, fuma
cigarro... "
"Eu não fumo cigarro!"
"Não,
você não, você só fuma maconha. Cheiramos cola..."
"Basicamente
o que nós recebemos hoje em sentido de legumes, verduras é
advindo do Mesa SP. Então, creio
muito na questão da solidariedade. Eu acredito que é a partir
daí, da solidariedade que a gente vai conseguir resgatar de fato
alguns valores que são essenciais no nosso mundo de hoje, sobretudo
a dimensão da humanidade."

O que é
o futuro?
"Eu
não sei, né?"
O
que você quer ser?
"Trabalhador.
Ser um trabalhador de vídeo."
Quem vai para o trabalho segue seu caminho de dobrar esquinas. O ônibus
marca nosso destino. Todas as paradas.
As
sombras ocuparão as paredes, as janelas, nossas praças,
o menino que dormiu na calçada.
Quando o dia começa
a mostrar suas sombras os meninos do Albergue voltam pra rua. Pleno sol.
Ocupam as calçadas, as escadarias, claramente, acreditando que
é assim.

Veja
a segunda parte do programa sobre Desperdício (São Paulo
- SP)
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