Leia Brasil - SEprimeira parte Neide Duarte |
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Um caminhão passa e pede: leia Brasil.
A sua passagem é
como a leitura por estes lados, dificultosa, fraca de feição.
É só mais um caminhão no caminho, mas leva uma ponte,
instrumento de mais valia. "Vocês sabem que são cinco livros por turma, sendo que vocês vão ficar devendo três livros, nós só podemos dar dois livros para a turma, emprestar mais dois livros." - Hamilton
Você
ainda não escolheu o livro?
Lembrança de um dia que não estava escrito.
São
só esses dois livros que você tem?
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Estrada para Nossa
Senhora Aparecida. Polígono das secas. Região de gado.
Oito mil habitantes, 12 mil cabeças de gado. Uma única escola
de segundo grau. Tudo é sertão. Antonio é o motorista,
Hamilton o atendente, mensageiros de histórias. Eles trabalham
com um caminhão de palavras. E se encantam em ser o que são.
É hora. Nossa
Senhora Aparecida resgata suas mais velhas histórias. Tudo por
causa do caminhão.
Vandete não
se importa. Esse é o sinal para a alegria. A quadrilha era a dança de salão preferida da corte, no tempo do Brasil imperial e é até hoje uma dança de bem querer do povo do interior do nordeste. Mas no gosto de dançar é só meia a alegria. Vandete não pode esquecer o desemprego dos seus 13 filhos, nem as promessas nunca cumpridas dos políticos.
Trabalhei porque disse que era irmão de doutor Creonte, doutor Creonte é como meu neto, eu aqui vou atrás de gente pra votar pra esse que pos no lugar de Adelson. Essa gentarada, ninguém me dá nada." - Vandete
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