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O Projeto Rappers
recebe 56 mil dólares por ano de uma agência de financiamento
holandesa.
"Só
foi possível realizar todo o trabalho que o Geledés vem
realizando ao longo desse tempo por contar com parceiros fundamentais,
como a Fundação Ford, ICCO, Ministério da Justiça,
Comunidade Solidária, Fundação Palmares. (...) As
organizações negras têm muita dificuldade de encontrar
apoio financeiro para o trabalho que realizam dentro do Brasil, por vivermos
num país que se governa por um mito, um mito da democracia racial."
- Sueli Carneiro - Coordenadora Executiva Geledés
Duas
mulheres caminham pela Liberdade em São Paulo.
Sônia e Maria
Sílvia são advogadas, e estão sempre atrás
de justiça.
"Ainda não conseguimos mobilizar o judiciário. A
problemática do racismo ainda é tratada
como uma questão de segunda categoria. O Geledés, ao criar
o SOS Racismo, que é um atendimento as vítimas de discriminação
racial, fez um levantamento da Lei Afonso Arinos, da promulgação
da Lei em 1951 até 1991, quarenta anos de existência da Lei
Afonso Arinos, nós não encontramos uma condenação
da prática do racismo." - Sonia
"Eu
já sofri muito preconceito. Por exemplo, eu já fui fazer
audiência e quando eu entrei na sala de audiência o escrevente
me mostrou a cadeira que seria para que o réu sentasse. Porque
como minha cliente era uma pessoa branca ele entendeu que numa audiência
criminal eu só poderia ser a ré." - Maria Sílvia
Oliveira - Advogada Criminal
"Aqui mesmo
no prédio do fórum, no banco estava escrito: 'Só
para advogados', eu entrei na fila, quando chegou na minha vez a caixa
falou: 'Mas você é advogada?' Eu voltei e falei, mas ali
não diz que é só para advogado? Aí ela ficou
toda constrangida, falou: 'Sabe o que acontece?'. Eu falei, eu sei, eu
sei o que acontece, pode cobra. Eu sei exatamente o que acontece."
- Sônia
As mulheres do Geledés sofrem o mesmo preconceito dos clientes
que defendem no tribunal. Elas atendem de 3 a 4 pessoas por semana através
do Programa SOS Racismo. Para esse projeto elas têm como parceiro
uma fundação americana, a Fundação Ford, que
contribui com 100 mil dólares anuais.
Pelo seu trabalho em defesa dos direitos humanos o Geledés ganhou
em 98 uma menção especial do governo francês.
"Prá
nós esse prêmio é uma coisa muito importante.(...)
A história do movimento de direitos humanos no Brasil está
intimamente ligada à época do regime militar, as violações
que foram praticadas naquele período e a um conjunto de outras
violações de direitos, como por exemplo a violação
dos direitos das populações negras, o desrespeito, o racismo,
a discriminação, a marginalização social a
que os negros estão submetidos nunca foi considerado objeto de
direitos humanos." - Sueli
"Esse
problema nesse fim de século e começo do outro não
pode ser tratado mais pelo governo, precisa ser estimulado pelo governo,
mas precisa da participação do que a gente chama sociedade
civil e na sociedade civil estão essas organizações
não governamentais, especialmente as que congregam jovens. Elas
têm um papel muito grande no sentido de conseguir chegar mais perto
da alma das pessoas do que os governos." - José Gregori
- Secretário de Direitos Humanos
A liberdade
é só um desenho na parede. Nesta casa todos os dias alguma
mulher procura ajuda para escapar de alguma violência familiar.
Os casos que precisam
de ajuda jurídica são encaminhados ao Geledés que
recebe do Ministério da Justiça 76 mil reais por ano para
ajudar essas mulheres.
"A
mulher negra a gente considera a que sofre maior violência. Ela
sofre todas as exclusões da sociedade contemporânea, a violência
de raça, violência de classe e a violência de gênero."
- Maria Elisa Stampacchio - Assistente Social - Casa Eliane de Grammont
"Nós
encaminhamos para o Geledés a maioria dos casos que precisam de
atenção, atendimento com o jurídico, seja de acompanhamento
ou seja de uma simples orientação, porque lá eles
acolhem muito bem essa mulher, eles entendem o que essa mulher está
passando." - Maria Elisa
"No
Geledés você não se sente pressionada, você
se sente amparada, a vontade e não tem vergonha de falar, elas
sabem que isso aconteceu não porque a gente tem culpa.(...) As
primeiras vezes que ele me bateu eu procurei o juizado de pequenas causas,
lá eles são legais, tudo, mas o atendimento assim é
muito frio, a gente se sente muito desconfortável. Fica aquela
coisa estranha: 'Se você apanhou dele porque você está
em casa ainda, porque não fez nada, não é a primeira
vez, porque você não reage?'."
"A justiça trata assim, o olhar humano trata assim, o olhar
das próprias mulheres a veêm dessa forma. quer dizer, ela
pode estar agredida, mutilada. Se pairar qualquer dúvida moral
sobre ela é como se ela tivesse merecido a agressão, é
merecido o estupro, é merecido o grau de violência que ela
teve." - Maria Eliza

Veja
a segunda parte do programa sobre Geledés
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