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O silêncio de Ricardo Ramos Num ardil
de sonhos e palavras, vitórias e amarguras, levaram-no as águas
turvas deste rio crepuscular, que nos arrasta para o insondável
mergulho. Agora, separado de nós pelas florestas do tempo, em
outra noite ainda mais poderosa e abundante do que a nossa, ele nos
recoloca no grande anfiteatro, cenário de uma batalha permanente
entre o amor e a morte. Entre a alvorada e o anoitecer, o contista preciso, o ficcionista essencial invadiu dicionários e enciclopédias, antologias e teses universitárias. Recebeu diversos prêmios, inclusive como romancista. Deu aulas, foi conferencista, presidiu a União Brasileira dos Escritores (UBE) e se tornou membro da Academia Paulista de Letras. Mas é
" no divino labirinto dos afetos" - como disse Borges - que
sua ausência mais nos emociona. Os gestos, a voz profunda, a fina
ironia. O cigarro e o cafezinho. A paixão pelo ofício
de escrever. O amor às pessoas. Marise, os filhos, os amigos.
O rigor dos caminhos e as bifurcações. O nostálgico
ritual dos encontros - e também os desencontros e as agonias.
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