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Os filhos
do futuro
Como serão
os seres humanos do século 21 ? Nas maternidades globalizadas
de hoje, não há ultra-som ou pesquisa que nos ofereça
resposta exata. Apesar disso, podemos concluir que os filhos do futuro
terão traços de desencanto e pragmatismo. Recusarão,
sem dúvida, o leite das ideologias, serão amamentados
pelas mães, nunca pelos Estados. Exigirão comida saudável
- de preferência, natural. Ainda assim, não serão
capazes de resistir a uma Coca-Cola ou a um Big Mac.
Os habitantes do século 21 terão um discurso mais próximo
da televisão do que do livro. Substituirão algumas formas
de raciocínio e alguns sistemas de associação de
idéias. Receberão da tecnologia presentes irrecusáveis.
Não serão saudosistas nem preconceituosos, porque já
não pensarão como as gerações atuais. Isso
não será bom, nem mau. Será inevitável.
Os filhos
do amanhã abandonarão de vez o maniqueísmo da finada
Guerra Fria, a divisão do mundo entre anjos e demônios.
Saberão que as ditaduras têm sua própria história
e sua própria geografia. Não serão pessoas inocentes,
porque a miséria e a informação instantânea
terão acabado com a inocência. Mas talvez não percam
a sensibilidade e a vontade de reagir diante da banalização
da violência e da morte.
Na relação
entre as nações, os habitantes do século que se
inicia compreenderão que a destruição do meio ambiente
não é fruto da riqueza, nem é resultado da pobreza.
Ela nasce essencialmente da ignorância e da desinformação.
Os filhos do futuro saberão, portanto, que o único caminho
para a sobrevivência será substituir a retórica
da confrontação pela busca da parceria, da cooperação
e do entendimento entre os povos.
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