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"Quando eu me comunico
com criança é fácil porque sou muito maternal.
Quando me comunico com adulto, na verdade estou me comunicando com
o mais secreto de mim mesma, daí é difícil...
O adulto é triste e solitário. A criança tem
a fantasia muito solta."
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" Quanto a meus filhos,
o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe.
Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles,
eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias.
Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário,
e eu ficarei sozinha. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo
o destino de todas as mulheres."
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Em 1950, na Inglaterra, Clarice inicia o esboço do que viria
a ser A Maçã no Escuro, livro publicado em
61. Antes de se fixar em Washington ela passa pelo Brasil. Trabalha
novamente em jornais, entre maio e setembro de 52, assinando a página
"Entre Mulheres", no jornal O Comício, no Rio,
sob o pseudônimo de Tereza Quadros. Em setembro vai para os
Estados Unidos, grávida. Durante os oito anos de permanência
no país, vem ao Brasil várias vezes. Em fevereiro
de 53, nasce Paulo. Ela continua a escrever A Maçã
no Escuro, em meio a conflitos domésticos e interiores.
Mãe, Clarice Lispector divide seu tempo entre os filhos,
A Maçã no Escuro, os contos de Laços
de Família e a literatura infantil. O primeiro livro
para crianças seria O Mistério do Coelhinho Pensante
, uma exigência do filho Paulo. A obra ganharia o prêmio
Calunga, em 67, da Campanha Nacional da Criança. Ela ainda
escreveria três livros infantis: A Mulher que Matou os
Peixes, A Vida Íntima de Laura e Quase de Verdade.
Nos Estados Unidos, Clarice Lispector conhece Érico e Mafalda
Veríssimo, dos quais torna-se grande amiga. Veríssimo
e família retornam ao Brasil em 56. Entre os escritores,
inicia-se uma vasta correspondência. No primeiro semestre
de 59, o casal Gurgel Valente decide-se pela separação.
Clarice volta a morar no Rio de Janeiro, com os filhos. Sobre o
"conciliar" casamento/literatura, afirmava que escrevia de qualquer
maneira, mas o fato de cumprir o seu papel como mulher de diplomata
sempre a enjoou muito. Cumpria a obrigação. Nada além.
Na volta ao país, mais um período de dificuldades
afetivas e financeiras. Ela prefere a solidão ao círculo
que tinha relação com o ex-marido.
O dinheiro que recebia como pensão não era suficiente,
nem os recursos arrecadados com direitos autorais. Clarice retorna
ao jornalismo. Escreve contos para revista Senhor, torna-se
colunista do Correio da Manhã, em 59, e, no ano seguinte,
começa a assinar a coluna Só para Mulheres,
como "ghost writer" da atriz Ilka Soares no Diário da
Noite. A atividade jornalística seria exercida até
1975. No final dos anos 60, Clarice faz entrevistas para a revista
Manchete. Entre 67 e 73 mantém uma crônica semanal
no Jornal do Brasil, e, entre 75 e 77, realiza entrevistas
para a Fatos & Fotos.
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