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"Em toda obra dessa grande escritora
alguma coisa íntima está sempre queimando: suas luzes nos
chegam variadas e exatas, mas são luzes de um incêndio que
está sendo continuamente elaborado por trás de sua contenção.
Esse fogo é o segredo íntimo e derradeiro de Clarice. É
o seu segredo de mulher e de escritora." Lúcio Cardoso. |
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"Enquanto eu tiver perguntas e não
houver respostas, continuarei a escrever."
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"Ninguém me entendia. Agora
me entendem. A que você atribui isso? Eu não sei... que
eu saiba não fiz concessões."
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"Me chamam de hermética. Como
é que se pode ser popular, sendo hermética? Eu me compreendo.
De modo que eu não sou hermética para mim"
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"Uma personalidade lisérgica. Para ela se abriam as portas
da percepção, de modo a transformar-se o mundo num espetáculo
de vertiginosa complexidade, profundidade e vigor. Clarice via demais,
e o sofrimento lhe brotava da crispação das suas retinas
expostas às agulhas de luz que saltam do coração
selvagem da vida... Vidente e visionária, Clarice era fustigada,
crucificada pelo excesso de estímulos, conscientes e inconscientes,
que tinha de domar." Hélio Pelegrino. |
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"Eu acho que, quando não escrevo, estou morta." |
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| Volta | | Ensinar e Aprender | TEXTO EXTRAÍDO, NA ÍNTEGRA, DO PROGRAMA
"ÍNDICE CULTURA - Editoria Especial" Roteiro, produção e apresentação: Patrícia Coelho Apoio de Produção: Thays Barca Coordenação: Regina Porto No programa,o áudio da entrevista concedida a Júlio Lerner, TV Cultura, 01.02.77 Trechos de A PAIXAO SEGUNDO G.H., na voz de Regina Porto. Citações na leitura de Fernando Uzeda. Imagens extraídas de "Clarice, uma vida que se conta" de Nádia Battella Gotlib (segunda edição) Editora Ática 1995 |