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Poeta e educadora
A paixão pelos livros e a leitura norteia o caminho da jovem Cecília. Aos 16 anos, ela se diploma professora. A vontade e o fascínio pelo "saber" a conduzem, então, para o estudo de outros idiomas e para o Conservatório Nacional de Música, onde tem aulas de canto e violino. Ainda que "fizesse versos" e compusesse cantigas para os seus brinquedos desde a escola primária, é na adolescência que Cecília Meireles começa a "escrever poesias", segundo sua própria definição. Em 1919, aos 18 anos, ela publica seu primeiro livro de poemas: ESPECTROS, iniciando um período de grande produção.
Em BALADAS PARA EL-REI, através do desencanto e da nostalgia do além. Formalmente, os poemas constroem-se através da repetição de palavras, vogais e consoantes, refletindo, os versos, uma particular musicalidade. Segundo críticos de sua obra, Cecília Meireles, associando uma percepção sensorial a outra, produz sinestesias transfiguradoras da realidade, anunciando o nível de sua futura produção.
A partir de 1925, a educadora Cecília Meireles se sobressai à poeta. Em 1927, ela publica a prosa poética CRIANÇA, MEU AMOR, livro que posteriormente seria indicado como leitura oficial nas escolas. Dois anos depois, ela se candidata à cátedra de literatura da Escola Normal, mas o cargo, de acordo com as cabeças pensantes, destinava-se a alguém reconhecidamente católico. Cecília concorre à vaga com a tese O ESPÍRITO VITORIOSO, um trabalho liberal onde discorria sobre a liberdade individual na sociedade. Perde para um técnico em educação sem qualquer pretensão literária, perfil que agradava mais aos "eleitores"da vaga a que Cecília Meireles concorria. A despeito de perseguições mais ou menos veladas, e de dificuldades financeiras, Cecília Meireles luta ainda mais pela renovação educacional vigente. Entre junho de 1930 e janeiro de 33, dirige a Página da Educação no Diário de Notícias do Rio de Janeiro. Em seus artigos sobre política, educação e cultura, defende uma política menos casuísta e uma educação moderna. Cecília rompe tabus de uma sociedade, deixando sua marca na História Brasileira como defensora da idéia universal de democracia, numa década em que o mundo vive o período de transição das duas Grandes Guerras. No Brasil, Vargas sai-se vitorioso na Revolução de 30. |
| Página de Educação,
Diário de Notícias, 6 de maio, 1931. Fragmento: "Mas,
enquanto uma reforma do Ensino Primário, como a que nos deixou
o governo findo, nos promete - embora da sombra e da frialdade a que
a condenaram - uma era nova, e de real importância, para a nossa
nacionalidade, o regime atual, que tanto tem invocado a Liberdade como
sua padroeira, nos coloca nas velhas situações de rotina,
de cativeiro e de atraso que aos olhos atônitos do mundo proclamarão,
só por si, o formidável fracasso da nossa revolução...
Veio o sr. Francisco Campos com o seu feixe de reformas na mão.
E, em cada feixe, pontudos espinhos de taxas... E esperávamos
uma reforma de finalidades, de ideologia, de democratização
máxima do ensino, da escola única - todas essas coisas
que a gente precisa conhecer antes de ser ministro da educação...Depois
veio o decretozinho do ensino religioso. Um decretozinho provinciano,
para agradar alguns curas, e atrair algumas ovelhas...decreto em que
fermentam os mais nocivos efeitos para a nossa pátria e para
a humanidade. Chama-se a isto ser liberal. Fala-se da religião
como de um movimento de liberdade. Liberdade! Oh! mas, afinal, sejamos
coerentes. Façamos o déspota. Façamos o vizir.
Façamos, de certo modo, o César do século 20. Mas
conservemos a significação dos nomes!" Cecília Meireles |
E a voltar sempre inteira."
A "Página da Educação", comandada por
Cecília Meireles, causa fúria no meio político
nacional. Cecília refere-se ao presidente Vargas como "Sr.
Ditador". Sustentando a idéia de um Brasil menos ufanista,
coleciona inimigos e desafetos. Entre eles Alceu Amoroso Lima, crítico
católico que, em 71, reconheceria na poeta "uma grande figura
feminina do modernismo". Os modernistas, aliás, já a
consideravam uma revelação, a partir da publicação
de ESPECTROS e BALADAS PARA EL-REI. |