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O Terceiro Mundo - Oriente Médio
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(Continuação)


A diáspora palestina e a Al-Fatah

No entanto, havia um fenômeno político e cultural acontecendo no mundo, sem o controle das superpotências: a diáspora palestina, iniciada em 1949. Dezenas de milhares de palestinos se dispersaram pelo Oriente Médio e pelo mundo, vivendo muitas vezes em condições subumanas em campos de refugiados. Os palestinos transformaram-se num povo errante, exatamente como havia acontecido dois mil anos antes com os judeus.

Foi nesse contexto que surgiu a Al-Fatah, em 1959. Com ela, o Oriente Médio mergulhou de vez no pesadelo do terrorismo. Fatah, em árabe, significa "reconquista". O grupo tinha como objetivo a destruição de Israel e a criação de um Estado palestino soberano e independente. Era um entre vários grupos radicais surgidos na região.


IMAGEM
Yasser Arafat (à esquerda)
Entre os fundadores da Al-Fatah estava Yasser Arafat, um jovem engenheiro palestino admirador da política nacionalista de Nasser. Mais tarde ele viria a se tornar o principal líder dos palestinos, à frente da Organização Para a Libertação da Palestina, a OLP. Logo que surgiu, a Al-Fatah passou a praticar uma série de ações guerrilheiras contra alvos militares israelenses e de atentados terroristas contra alvos civis.


Um barril de pólvora

Por um lado, a criação de Israel teve efeitos dramáticos sobre a população palestina. Por outro lado, serviu de instrumento político das ditaduras militares, como na Síria, Líbia e Iraque, e dos regimes com características feudais, como a Arábia Saudita e o Kuwait. Nesses países, os governos autoritários conquistavam o apoio da população fazendo propaganda ideológica contra o Estado de Israel. Era uma forma de desviar a atenção de problemas mais urgentes, como a miséria e a falta de democracia.

Essa propaganda reforçava a idéia lançada por Gamal Abdel Nasser, de que a população árabe só construiria uma grande nação através da destruição de Israel. Esse sentimento coletivo, estimulado pelos governantes, transformou o Oriente Médio num grande barril de pólvora.


Anos 60: surge a OLP

Em maio de 64, durante o 1° Congresso Nacional Palestino, realizado em Jerusalém, surgiu a Organização Para a Libertação da Palestina, OLP. O objetivo era centralizar a liderança de vários grupos clandestinos. IMAGEM
Rei Hussein na criação da OLP

"Os palestinos eram derrotados porque lhes faltava organização, lhes faltava apoio, seja europeu, seja oriental. Foram sempre apoiados por árabes mais desorganizados do que eles. As Nações Unidas faziam resoluções que não eram cumpridas por Israel, um país que sempre teve apoio dos Estados Unidos e da Inglaterra e até, naquele tempo, da França e da União Soviética. Os palestinos batiam em todas as portas para ter uma ajuda, para poder ficar na Palestina, ou para poder criar seu lar próprio, como Israel. Infelizmente foi negada ajuda de todos os lados. A situação chegou ao cúmulo de, em 1952, as Nações Unidas riscarem a questão palestina de suas resoluções. Ali os palestinos viram que não tinham outra condição a não ser organizar-se bem para ter um lugar no chão. E assim foi criada a OLP, que começou a lutar militarmente contra Israel."

Hasan El-Emleh
presidente da Federação Árabe-Palestina do Brasil


A Guerra dos Seis Dias

O cenário geopolítico do Oriente Médio seria novamente modificado em junho de 67, de forma dramática, com a Guerra dos Seis Dias. Os israelenses, com o auxílio logístico dos Estados Unidos, atacaram de surpresa o Egito, a Síria e a Jordânia, que preparavam uma ofensiva conjunta contra Israel. Em algumas horas, praticamente toda a aviação dos países árabes foi destruída ainda no solo, antes mesmo de ser utilizada. Com total domínio aéreo, em seis dias as forças armadas de Israel saíram amplamente vitoriosas.

Como resultado da Guerra dos Seis Dias, Israel anexou a península do Sinai e a Faixa de Gaza - que pertenciam ao Egito -, a Cisjordânia - inclusive a parte oriental de Jerusalém, que, desde 1948, estava de posse da Jordânia - e as Colinas do Golã, que eram parte integrante da Síria. Com esse desfecho militar, o clima de tensão aumentou em toda a região. A Al-Fatah e outros grupos radicais intensificaram os ataques contra alvos israelenses.

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