
Cena do filme "O Planeta dos Macacos" |
O filme "O Planeta dos Macacos", que
mostra as dificuldades do ser humano na Terra no ano de 3.978, é
um exemplo da preocupação do cinema norte-americano
em abordar o tema da devastação nuclear, tão
comum no período da Guerra Fria. Diversos filmes tratam do
assunto, como "Síndrome da China" e "The Day After", na tentativa
de fazer um alerta sobre os perigos da guerra nuclear. |
O surgimento da bomba atômica teve sérias
implicações históricas, políticas e culturais.
Durante o período da Guerra Fria, o pesadelo da chamada "hecatombe
nuclear" rondou a vida dos habitantes do planeta. Acreditava-se que o ataque
de um dos lados, num momento qualquer, desencadearia uma guerra que poria
fim à vida humana na Terra.Nós vamos ver de que modo a bomba
atômica surgiu e se transformou num dos elementos principais do jogo
de poder entre Estados Unidos e União Soviética. Um jogo macabro
conhecido como "o equilíbrio do terror".
Einstein e a bomba atômica
O início da corrida armamentista
nuclear foi marcado por um apelo de Albert Einstein ao presidente dos
Estados Unidos, Franklin Roosevelt, numa carta enviada em 1939. O físico
alemão mostrava-se preocupado com a possibilidade de Hitler ter
acesso à tecnologia nuclear antes dos americanos. Roosevelt decidiu
ampliar os investimentos em pesquisas e determinou, em 1942, o início
do Projeto Manhattan, voltado ao desenvolvimento da bomba atômica.
Três anos depois, em julho de 45, a equipe de Robert Oppenheimer
fez o primeiro teste bem sucedido de explosão nuclear no deserto
de Alamogordo, no estado americano do Novo México.Na mesma ocasião,
realizou-se na Alemanha a Conferência de Potsdam. O presidente dos
Estados Unidos, Harry Truman, negociou com Josef Stalin, da União
Soviética, e Winston Churchill, da Grã-Bretanha, a nova
divisão do mundo após a Segunda Guerra. Informado do sucesso
dos testes no Novo México, Truman endureceu sua posição
na conferência e tentou limitar a influência soviética
na Europa.
| Para muitos historiadores, o marco
inicial da Guerra Fria foi o lançamento da bomba atômica
sobre Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, logo após o
fim da Segunda Guerra Mundial. Nessa perspectiva, a destruição
das duas cidades nada teve a ver com o Japão, já militarmente
derrotado, e sim com a divisão geopolítica do mundo.
|

Primeira bomba: destruição no Japão |
O propósito dos Estados Unidos, para esses
historiadores, foi de intimidar Moscou e conter o avanço do comunismo.Em
fevereiro de 47, Truman fez no Congresso americano um discurso que mais
tarde ficaria conhecido como "Doutrina Truman". O presidente prometia acabar
com a chamada "ameaça comunista" em qualquer parte do mundo onde
ela surgisse. Era apenas o início de uma longa temporada de tensões
internacionais que caracterizariam a Guerra Fria.
A Europa se divide
Em abril de 1949, diversos países ocidentais,
sob a liderança dos Estados Unidos, criaram a OTAN, Organização
do Tratado do Atlântico Norte. A aliança consagrava,
no aspecto militar, a divisão da Europa em dois blocos antagônicos.
Os primeiros países a integrar a OTAN foram Estados Unidos, França,
Grã-Bretanha, Canadá, Bélgica, Dinamarca, Islândia,
Itália, Luxemburgo, Holanda, Noruega e Portugal. Em 52, entraram
a Grécia e a Turquia. Em 55, a Alemanha, e em 82, a Espanha.A situação
esquentaria ainda mais em agosto de 49, quando a União Soviética
faria seu primeiro teste nuclear bem sucedido.O antagonismo na Europa
ficou mais evidenciado com a divisão da Alemanha em dois países,
ainda em 49. A área ocupada pelo Exército soviético
tornou-se a República Democrática da Alemanha e passou a
integrar o bloco socialista. Sua capital era a parte oriental da cidade
de Berlim, também dividida em duas.
Comunismo chinês: a Guerra Fria na Ásia
O ano de 1949 foi conturbado também
no continente asiático. Em outubro, o Partido Comunista Chinês,
liderado por Mao Tse-tung, tomou o poder e proclamou o nascimento de mais
um país socialista, a República Popular da China. Um gigante
continental com uma população, na época, de mais
de 500 milhões de habitantes.Os americanos, com a Doutrina Truman,
não estavam alheios ao avanço da esquerda na Ásia
e reforçaram a presença militar na bacia do Pacífico,
procurando preservar sua influência no sudeste asiático.
Dessa forma, a revolução chinesa levou para a Ásia
as fronteiras da Guerra Fria. Havia o receio de que o Japão, pela
proximidade com a União Soviética e a China, fosse engolido
pelo bloco socialista.
Uma das primeiras conseqüências dos acontecimentos na China
foi a invasão da Coréia do Sul pelos vizinhos norte-coreanos,
de governo pró-soviético. Eles queriam reunificar o país
sob a bandeira do socialismo. A ofensiva, em junho de 1950, desencadeou
uma ação enérgica dos Estados Unidos, que aprovaram
na ONU uma ajuda multinacional à Coréia do Sul. Era tudo
o que os americanos queriam. Em algumas semanas, sua indústria
bélica produzia uma quantidade expressiva de armamentos para uso
na Guerra da Coréia. Além disso, Washington estimulou a
participação do Japão no chamado "esforço
de guerra". A indústria japonesa passou a produzir o material de
apoio aos soldados no front, como roupas, remédios e alimentos
sintéticos. Com isso, o Japão tentou resolver o problema
do desemprego por meio de compromissos econômicos com o bloco capitalista.
No final do conflito, em 53, a rígida divisão entre capitalistas
e socialistas na bacia do Pacífico estava cristalizada.
Essa batalha estratégica pelo controle do sudeste asiático
teria desdobramentos dramáticos nos anos 60, com o envolvimento
direto dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.
Continua
|