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A
questão cultural no mundo |
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(Continuação) O realismo socialista A partir dos anos
30, a imagem que a União Soviética fazia de si mesma era
moldada por uma corrente estética denominada Realismo Socialista.
Ela surgiu durante um congresso de escritores em 1934, com a participação
de Máximo Gorki. A corrente deveria consagrar a arte como canal
de expressão dos princípios marxistas. Os artistas passaram
a buscar inspiração no folclore nacional e na vida simples
do operário e do camponês. Em pouco tempo, no entanto, as
diretrizes do congresso tornariam-se instrumento político nas mãos
de Josef Stalin.
Nesse sentido, é muito parecido ao que Hitler fez na Alemanha." José
Arbex Jr.
O self-made-man nos Estados Unidos No lado capitalista,
as coisas tomaram um rumo diametralmente oposto. Nos Estados Unidos, o
ideal de felicidade tem sido, há muitos anos, quase sinônimo
de riqueza e bem-estar individuais. É o chamado ideal do self-made-man.
Um dos primeiros símbolos desse ideal foi o automóvel. Para
muitos americanos do início do século não havia felicidade
sem um carro na garagem. Um homem, em particular, teve grande influência
na construção do modo de vida americano: Henry Ford, o criador
da linha de produção em série do automóvel.
"Depois da Primeira
Guerra Mundial surgiram uma nova geração e novas coletividades,
que passaram a integrar a cena histórica e que criaram uma cultura
toda baseada em representações do novo, do moderno, do jovem.
Nicolau
Sevcenko
historiador da cultura - USP Nos anos 20, as novas dimensões da estrutura econômica e cultural, ao lado da simplificação do serviço doméstico, ampliaram a presença da mulher num mercado de trabalho cada vez mais dinâmico e competitivo. Os costumes também se modificaram: as mulheres começaram a se livrar das roupas pesadas e cheias de enfeites, adotando saias e vestidos mais curtos, simples e sóbrios.Já temos, até aqui, os principais elementos culturais e ideológicos que marcariam as imagens dos dois blocos econômicos durante toda a Guerra Fria. Do lado soviético, a ênfase estava no controle estatal dos meios de produção, no desenvolvimento das máquinas, na concepção coletiva de vida. Do lado ocidental, a atenção maior estava no indivíduo, no mercado de consumo, na busca individual da felicidade.
Surge a Televisão Todas as diferenças entre os dois blocos, no entanto, podem parecer menores quando entra em cena a força da TELEVISÃO: o interesse dos governantes pela TV sempre foi o mesmo, de Washington a Moscou.
Em 61, Yuri Gagarin foi recebido como herói em seu país ao se tornar o primeiro homem a viajar numa nave em órbita da Terra. A resposta norte-americana veio no final da década. Em julho de 1969, Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar o solo da lua. E, consolidando a conquista aos olhos do mundo, fincou em solo lunar a bandeira dos Estados Unidos. O evento foi transmitido ao vivo pela TV, para uma audiência estimada em 1 bilhão de pessoas. Dos anos 50 até meados da década de 80, a propaganda soviética dava destaque à miséria existente nos países ocidentais. Apontava a prostituição, a pornografia, o narcotráfico, o desemprego e a corrupção como sintomas típicos da decadência da sociedade capitalista. Esses desvios não eram admitidos oficialmente pela União Soviética. Os filmes da época, quando se referiam ao próprio país, mostravam imagens idealizadas de um povo feliz. No Ocidente, a produção de imagens durante a Guerra Fria foi um processo mais complicado e contraditório. A própria natureza liberal dos regimes políticos dos Estados Unidos e da maior parte da Europa não deixava espaço para o surgimento de um fenômeno cultural restritivo como o Realismo Socialista. |