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Terceiro Mundo - África |
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Vamos relembrar um pouco da história da África e analisar o processo de descolonização do continente dentro do contexto da Guerra Fria.
Impérios coloniais: declínio No final da Segunda Guerra Mundial, não
havia mais clima político no mundo para a preservação
de impérios coloniais. A guerra marcou a derrota do Japão,
da Alemanha e da Itália, países que tinham um projeto declaradamente
colonialista. A própria criação da Organização
das Nações Unidas, a ONU, em junho de 1945, tinha formalmente,
como premissa, assegurar a igualdade entre todos os países do mundo.
"A questão é que os países
que realmente venceram a guerra - Estados Unidos, União Soviética,
Grã-Bretanha, França e China - vão formar aquilo que
se chama, no Conselho de Segurança, de bloco de países com
direito a veto. Isso significa que qualquer decisão tomada pelo Conselho
pode ser barrada por um desses cinco países. Agora, o que significa
isso em termos, por exemplo, das regiões que estavam sendo colonizadas?
Ficava muito estranho que essas nações todas tivessem lutado
contra as nações totalitárias, pela democracia, pela
liberdade, e ao mesmo tempo possuíssem colônias. Esse era o
caso da França e especialmente da Grã-Bretanha, que possuía
um vasto império colonial. Nesse sentido, fica claro que num determinado
momento essas potências seriam colocadas em xeque e obrigadas a ceder
a independência a todas as suas colônias."
Pan-Africanismo Os sinais de enfraquecimento dos impérios
coloniais, somados ao apoio retórico da União Soviética
às lutas nacionalistas, estimularam as lideranças africanas
a buscar o caminho da independência.
Escravagismo e exploração dos bens naturais Uma das raízes mais profundas da
dura realidade africana é o mercado de escravos, explorado por
árabes e europeus entre os séculos XVI e XIX. Naquele período,
mais de ONZE milhões de seres humanos foram capturados por portugueses,
holandeses, ingleses e franceses, e transportados à força,
principalmente para as plantations dos Estados Unidos e para as
possessões portuguesas na América.
"O tráfico de escravos vai de certa
maneira desarticular não só as economias locais mas desorganizar
os pequenos reinos, as pequenas formações sociais existentes
no litoral do continente, possibilitando futuramente a possibilidade de
uma colonização, de uma dominação desses povos.
Essa dominação ocorre de uma forma violenta ou estabelecendo
fronteiras artificiais, cortando, na maior parte das vezes, segmentos e
grupos étnicos. Isso pode ser notado na Conferência de Berlim,
onde as principais potências européias dividem aleatoriamente,
segundo seus interesses, o continente africano."
Bandung: tentativa de união dos países do Terceiro Mundo Quando o líder nacionalista Jomo
Kenyatta falava em pan-africanismo, ele tinha em vista, provavelmente,
muito mais uma estratégia geopolítica do que cultural ou
étnica. O objetivo era defender os interesses geopolíticos
comuns dos países africanos. Da mesma forma, e também no
começo dos anos 50, outro líder nacionalista, o egípcio
Gamal Abdel Nasser, defendia um ideal pan-arabista, que centralizasse
os interesses do povo árabe. Nos dois casos, do pan-arabismo e
do pan-africanismo, essa unidade serviria de cimento político e
ideológico contra os interesses imperialistas.
Nasser e o Pan-Arabismo
Outra iniciativa importante para acelerar o processo de descolonização foi a realização, em 1958, da 1ª Conferência dos Povos da África, em Acra, capital de Gana. Na ocasião, os países fecharam um acordo de ajuda mútua contra a Grã-Bretanha, França, Bélgica e Portugal. Àquela altura, a descolonização do continente já estava em andamento. Em 56, Marrocos e Tunísia, colônias da França, haviam conquistado a independência. |