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(Continuação)
A
força da propaganda
A partir do final
dos anos 40 e nas décadas de 50 e 60, o mundo foi bombardeado com
imagens que tentavam mostrar a superioridade do modo de vida de cada sistema.
Para ridicularizar o inimigo, os dois lados utilizavam muito a força
das caricaturas. A propaganda serviu para consolidar a imagem do mundo
dividido em blocos. A novidade era o surgimento do bloco socialista na
Europa, formado pelos países com governos de orientação
marxista: Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria,
Romênia, Iugoslávia, Albânia e Bulgária. No
mundo ocidental, os capitalistas procuravam mostrar que do seu lado a
vida era brilhante. As facilidades tecnológicas estavam ao alcance
de todos. Os cidadãos comuns possuíam carros e bens de consumo,
tinham liberdade de opinião e de ir e vir. Segundo a propaganda
ocidental, a vida no lado socialista, retratada em diversos filmes de
Hollywood, era triste e sem brilho, controlada pela polícia política
e pelo Partido Comunista. No mundo socialista, as imagens mostravam exatamente
o contrário. A vida no socialismo era alegre e tranqüila.
Os trabalhadores não precisavam se preocupar com emprego, educação
e moradia. Tudo era garantido pelo Estado. A cada dia, as novas conquistas
tecnológicas, especialmente na área militar e espacial,
mostravam a superioridade do socialismo. A propaganda socialista mostrava,
ainda, o mundo ocidental como decadente e individualista, onde o capitalismo
garantia, para alguns, uma vida confortável. E para a maioria,
uma situação de miséria, privações
e desemprego.
O
mundo em perigo: armamentismo e corrida espacial
A guerra da propaganda
ganhou ainda mais impulso com o acirramento da corrida armamentista, nos
anos 50. A corrida teve início com a explosão das bombas
atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Quatro anos depois,
em 49, foi a vez de a União Soviética anunciar a conquista
da tecnologia nuclear. Foi o mesmo ano da criação da Organização
do Tratado do Atlântico Norte, OTAN. A resposta viria em 1955, quando
a União Soviética construiu sua própria aliança,
o Pacto de Varsóvia. As superpotências passaram a acumular
um poder nuclear capaz de aniquilar o planeta em instantes.

Gagarin: primeiro homem no espaço
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Um componente fundamental da corrida armamentista
foi a disputa pelo espaço. Em 1957, os soviéticos colocaram
em órbita da Terra o primeiro satélite construído
pelo homem, o Sputnik-1. Em 61, os soviéticos fariam uma nova
demonstração de avanço tecnológico: lançaram
o foguete Vostok, a primeira nave espacial pilotada por um ser humano.
O jovem cosmonauta Yuri Gagarin viajou durante cerca de 90 minutos
em órbita da Terra, a uma altura média de 320 quilômetros. |
Os Estados Unidos reagiram.
Num histórico discurso em maio de 61, o presidente John Kennedy prometeu
que, em menos de 10 anos, um astronauta norte-americano pisaria o solo da
Lua. Toda a estrutura tecnológica e científica foi direcionada
para o programa espacial. Cumprir a promessa de Kennedy era mais do que
um desafio científico: era um compromisso político.
| Em 20 de julho de 1969, o grande momento: o astronauta
Neil Armstrong, comandante da missão Apollo-11, e o piloto
Edwin Aldrin pisam o solo lunar. A conquista norte-americana foi transmitida
ao vivo pela TV, e acompanhada por mais de 1 bilhão de pessoas
no mundo todo. |

Neil Armstrong na Lua: ao vivo na TV
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É claro que a
corrida espacial tinha também, desde o começo, um significado
militar. Se um foguete podia levar ao espaço uma cachorrinha como
a Laika, sem dúvida poderia transportar equipamentos bem menos inofensivos,
como ogivas nucleares. A combinação da tecnologia nuclear
com as conquistas espaciais colocou o mundo na era dos mísseis balísticos
intercontinentais. Um míssil disparado em Washington, por exemplo,
poderia atingir Moscou em cheio em apenas 20 minutos. O aperfeiçoamento
constante das armas acentuou a corrida armamentista. A conquista sistemática
de novas tecnologias, nos dois blocos, incentivou o desenvolvimento de um
ofício milenar: a espionagem.
CIA
x KGB
A espionagem foi um
dos aspectos da Guerra Fria mais explorados pelo cinema. O espião
mais famoso das telas, James Bond, criado por um ex-agente do serviço
secreto britânico, Ian Fleming, vivia aventuras glamourosas e bem
distantes da realidade. No mundo real, as duas grandes agências
de espionagem, a KGB soviética e a CIA americana, treinavam agentes
para atos de sabotagem, assassinatos, chantagens e coleta de informações.
Nos dois lados criou-se um clima de histeria coletiva, em que qualquer
cidadão poderia ser acusado de espionagem a serviço do inimigo.
Na União Soviética, Stalin contribuiu para esse clima, confinando
muitos de seus adversários em campos de concentração
na Sibéria. Nos Estados Unidos, o senador anticomunista Joseph
McCarthy promoveu uma verdadeira caça às bruxas, levando
ao desespero inúmeros intelectuais e artistas de Hollywood, acusados
de colaborar com Moscou.

Fidel e Khruschev: iniciativa perigosa
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Um dos momentos dramáticos da história
da espionagem na Guerra Fria aconteceu em 1962. O presidente americano,
John Kennedy, reagiu duramente contra a iniciativa soviética
de instalar uma plataforma de mísseis em Cuba. Chegou a advertir
o líder soviético Nikita Khruschev de que usaria armas
nucleares se fosse necessário. Depois de três semanas,
a União Soviética recuou. Durante esse tempo, o mundo
viveu o pavor de um confronto nuclear entre as superpotências. |
O
terrorismo ganha força
O clima de terror
que pairava no mundo não era simples paranóia. Nada disso.
Havia realmente a sensação que a vida humana poderia deixar
de existir de um momento para outro, se um dos lados apertasse o célebre
"botão vermelho". Nesse clima, o diálogo político
foi bastante prejudicado. Era difícil falar em negociações
de paz com os dois blocos apontando mísseis um para o outro. Esse
equilíbrio baseado na força contribuía para aumentar
o descrédito dos políticos junto à opinião
pública.
Na época da Guerra Fria, a falta de confiança na classe
política era problemática. O ambiente internacional, contaminado
pelo relacionamento pouco amistoso entre as superpotências, contribuía
para a expansão de um dos maiores obstáculos à paz
no mundo: o terrorismo. O uso da força e o terror estão
presentes em todo o século XX. Mas, foi no período da Guerra
Fria que se multiplicaram as ações de grupos radicais. Organizações
antigas, como o grupo basco ETA e o IRA, Exército Republicano Irlandês,
intensificaram suas atividades.
No Oriente Médio, a OLP, Organização para a Libertação
da Palestina, surgiu em 64 e centralizou as atividades de diversos grupos
radicais palestinos. Nos anos 70, as Brigadas Vermelhas, na Itália,
e o grupo Baader-Meinhof, na Alemanha, formados por estudantes e intelectuais,
praticaram atentados desvinculados de compromissos políticos ou
ideológicos.
| O terrorismo assustou muito os países
da Europa nos anos 70. Diante do terror não há paÍses
atrasados ou adiantados, fortes ou fracos. Todo o planeta sente a
mesma insegurança sob o fantasma constante de bombas lançadas
contra pessoas inocentes. O fato de o terrorismo atingir em cheio
os países desenvolvidos deixava temporariamente em segundo
plano uma visão imperialista muito utilizada pelas superpotências
nos anos 60, que dividia o planeta em Primeiro Mundo e Terceiro Mundo. |

Terrorismo atinge países desenvolvidos
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O termo "Terceiro Mundo",
surgido nos anos 40, designa um conjunto de mais de cem países da
África, Ásia e América Latina que não faz parte
do grupo de países industrializados do Primeiro Mundo, e nem do grupo
de países socialistas do Segundo Mundo. Com o tempo, no entanto,
os termos "Primeiro Mundo" e "Terceiro Mundo", passaram a ser empregados
como um conceito econômico, dividindo o planeta em grupos de países
ricos e pobres. Foram justamente os países ricos da Europa o cenário
principal da Guerra Fria, por razões de natureza histórica
e geográfica. Mas as outras regiões do planeta foram incluídas
no xadrez das superpotências por conta da própria lógica
do jogo, que previa a destruição completa de um dos dois jogadores.
A
Guerra Fria na Ásia

Mao Tsé-tung revolucionou a China
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Uma dessas regiões, a Ásia, entrou
de forma espetacular nesse contexto. Foi em 1949, quando o líder
comunista Mao Tsé-tung tomou o poder na China, um país
que na época contava 600 milhões de habitantes. O comunismo
chinês alterou o equilíbrio geopolítico no continente
asiático. A revolução de Mao Tsé-tung
encorajou a Coréia do Norte a atacar a Coréia do Sul,
em 1950. |
A guerra, que teve a
intervenção militar dos Estados Unidos, durou 3 anos e causou
a morte de mais de dois milhões de pessoas. Na época, a Índia,
que havia conquistado sua independência em 1947, mantinha-se neutra,
sem aderir a nenhum dos grandes blocos econômicos. Em 1954, foi a vez de
a França sofrer uma derrota humilhante na Ásia, durante a
Guerra da Indochina. A vitória do líder comunista vietnamita
Ho Chi Min consolidou a formação do Vietnã do Norte
e aumentou a preocupação dos Estados Unidos com o rumo político
dos países do sudeste asiático.
Alarmado com a expansão comunista na região, o presidente
dos Estados Unidos, John Kennedy, envolveu seu país na Guerra do
Vietnã, em 1960. Depois de treze anos de batalhas, a maior superpotência
do planeta seria derrotada por soldados pobremente armados e por guerrilheiros
camponeses munidos de facas e lanças de bambu. Os Estados Unidos
perderam a guerra não pelas armas, mas pela falta de apoio da opinião
pública de todo o mundo, em particular da americana.
A oposição à Guerra do Vietnã foi uma das bandeiras
dos jovens no final dos anos 60, quando explodiram, nos dois blocos, movimentos
por liberdade e democracia. No lado ocidental, em 68, os jovens saíram
às ruas em Paris e em outros centros importantes, como Londres e
São Francisco. No Brasil, os protestos foram principalmente em São
Paulo e no Rio de Janeiro.
| Todas essas manifestações culminaram
num grande evento pacifista, contra a Guerra do Vietnã e o
racismo: o Festival de Woodstock, realizado numa fazenda no estado
de Nova York, em agosto de 69. No lado socialista, o movimento atingiu
o auge com a Primavera de Praga, na antiga Tchecoslováquia,
em 1968. A luta pela democracia naquele país foi duramente
reprimida pelas forças do Pacto de Varsóvia. |

Repressão em Praga
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