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O Movimento Estudantil
       

Agosto de 1992. Com a força da contestação, os estudantes secundaristas ultrapassam os limites da sala de aula e saem às ruas para pedir o impeachment do Presidente Fernando Collor de Mello. Insatisfeitos com os rumos do governo, eles fazem ecoar seus direitos de cidadãos e exigem a ética na política. Ficam conhecidos como os "caras pintadas".

Os movimentos estudantis no Brasil têm uma longa história de lutas que passa pela libertação dos escravos e pela proclamação da República. Mas foi a partir da criação da UNE - UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES -, no dia 13 de agosto de 1937, que os estudantes universitários se organizam para lutar pela construção da democracia e justiça social no Brasil.


Passeata da UNE em 1942

A UNE participa de movimentos importantes: manifesta-se contra o regime nazi-fascista que se instaurava no país com o Estado Novo; exige uma posição do Brasil contra o Eixo durante a II Guerra Mundial; e luta pelo fim da ditadura Vargas.


Em 1947, com o ideal nacionalista, os estudantes aderem à campanha "O Petróleo é Nosso". Nos anos 60, a UNE, somada às UEEs, representações estaduais de estudantes universitários, coloca-se ao lado dos movimentos populares.

O país atravessa um processo de transformações sociais, com movimentos trabalhistas e sindicais apoiados pelos partidos de esquerda. Cresce a instabilidade política quando Jânio Quadros renuncia e sobe ao poder o petebista João Goulart.
Jango, como fica conhecido, propõe reformas de base para o desenvolvimento do país com justiça social.

Sintonizada com a idéia de mudanças, a UNE cria os Centros Populares de Cultura e leva as discussões dos problemas sociais brasileiros, por meio do teatro, cinema e da música, para pontos distantes do país.


Na greve geral de 1962, a União Nacional dos Estudantes se une a Jango na luta pela reforma educacional. Eles reivindicam a ampliação do ensino gratuito e a democratização da estrutura universitária.

Imagem manifestação da UNE - 1962
Manifestação da UNE
pelas reformas de base

31 de março de 1964: Insatisfeitos com os rumos do governo Jango, os militares, apoiados por setores sociais conservadores, dão o golpe de Estado que leva o Brasil para uma longa ditadura militar.


passeata UNE
Passeata da UNE contra
o acordo MEC/USAID

No dia 1° de abril, a sede da UNE é incendiada no Rio de Janeiro.Os estudantes tentam resistir ao golpe militar. Mesmo sem sede a UNE continua ativa, na clandestinidade, criticando a intervenção norte-americana na educação brasileira, estabelecida no acordo MEC/USAID.


1968: enquanto o Brasil vive tempos de violenta repressão, explodem em vários países as manifestações estudantis. Apesar das questões específicas nacionais, há outras que são comuns a todos como a guerra, a justiça social, a liberdade de expressão...

No Brasil, o movimento estudantil também se intensifica. Mesmo sob forte repressão, líderes estudantis atendem a convocação da clandestina UNE para o seu 30° Congresso, realizado em Ibiúna, interior de São Paulo. O encontro é interrompido com a invasão da polícia, que prende centenas de estudantes.

imagem prisão de estudantes
Estudantes sendo presos
Ibiúna - SP

Com a decretação do Ato Institucional número 5, os cidadãos brasileiros vivem a violência: direitos políticos cassados, intelectuais demitidos do serviço público, presos políticos torturados e desaparecidos.
Com o AI-5 em vigor, os movimentos estudantis de massa desaparecem para voltar no final da década de 70. Desta vez, para lutar pela anistia e pela volta ao regime democrático. A UNE volta à legalidade em 1985. Ressurgem grêmios e centros estudantis.


imagem de estudantes carapintadas
Manifestação dos Caras Pintadas

Em 1992, os estudantes de todo o país manifestam-se a favor do impeachment do Presidente Fernando Collor de Mello. Os jovens secundaristas pintam o rosto e se juntam a outros setores sociais na luta contra a corrupção e pela ética na política.

Roteiro: Solange Martins

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Ensinar e Aprender


1. Propor aos alunos a elaboração de uma linha do tempo, destacando fatos significativos da UNE (União Nacional dos Estudantes) nos movimentos políticos e sociais (golpe de 64, o petróleo é nosso, caras pintadas), desde sua fundação (13.08.37) até os dias de hoje.

2. Pesquisar as ingerências de projetos norte-americanos na educação brasileira nos anos 60 e relacioná-los com o golpe militar de 64.

Bibliografia

ALMEIDA, Junior Antonio Mendes de. Movimento estudantil no Brasil. São Paulo: Brasiliense, l981 (Tudo É História, 23).

SANFELICE, José Luis. Movimento estudantil: a UNE na resistência ao golpe de 64. São Paulo: Cortez, 1986.

Para seu conhecimento:

União Nacional dos Estudantes - UNE
Rua Vergueiro, 2485 - Vila Mariana - São Paulo - SP
www.une.org.br