volta - Alô Escola
O Tenentismo
       

FOTO
Forte Copacabana
Acervo Biblioteca Mário de Andrade - SP

Rio de Janeiro, 1922. Soldados do Forte de Copacabana iniciam uma rebelião. Depois de bombardeado por mar e por terra, um pequeno grupo de homens sai do forte e enfrenta as tropas do governo. Sobrevivem dois: Eduardo Gomes e Siqueira Campos.
Este levante é o primeiro do movimento que fica conhecido como Tenentismo.


Nas primeiras décadas do século XX, o Brasil vive um regime político dominado pelos grandes proprietários de terra de São Paulo e Minas Gerais. Com a industrialização e o crescimento das cidades, novos grupos sociais emergem.

Setores do operariado, da classe média, da burguesia industrial e de oligarquias não representados no governo, disputam um espaço no poder político.
No começo dos anos 20, cai o preço internacional do café. O governo arca com os prejuízos e compra os estoques dos cafeicultores.

A eleição de Artur Bernardes para a Presidência da República, em 1922, gera protestos entre os jovens oficiais das Forças Armadas, especialmente os tenentes. Bernardes é o candidato do governo. Sua eleição significa a continuidade dos mesmos grupos no poder.


FOTO
Marcha dos Tenentes - Av. Atlântica
1922 - Acervo Ed. Abril

A oposição dos tenentes leva o governo a fechar o Clube Militar do Rio de Janeiro. Esta ação é o estopim que provoca o levante do Forte de Copacabana.


1924 - É em São Paulo que ocorre a mais violenta revolta tenentista dos anos 20. Os rebeldes ocupam a cidade durante quase um mês. Querem o fim do poder das oligarquias.

Reivindicam a moralização do governo, voto secreto e independência do poder legislativo, além da obrigatoriedade da educação primária e profissional. Parte da população adere à revolução. Lojas são saqueadas e depredadas.

As forças federais atacam os revoltosos e bombardeiam São Paulo. Morrem mais de 500 pessoas e quase 5 mil ficam feridas. Os rebeldes batem em retirada e se refugiam no interior do Paraná.

Neste tempo, pipocam levantes tenentistas pelo Brasil. Amazonas, Pará, Sergipe, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Todos acabam vencidos pelas forças governistas.

No Rio Grande do Sul, três destacamentos comandados pelo tenente Luis Carlos Prestes rompem o cerco das tropas oficiais e avançam até o Paraná. Ali encontram os revoltosos de São Paulo e iniciam uma longa marcha pelo interior do Brasil.


FOTO
Coluna Prestes / CPDOC Fundação GV - RJ
A Coluna Prestes, como fica conhecida, tem cerca de 1500 homens e vai percorrer mais de 25 mil quilômetros de sertões e florestas. O seu objetivo é conseguir a adesão dos militares à sua ação contra o Governo Federal. Depois de dois anos de batalhas, a Coluna Prestes fica enfraquecida e reduzida a 650 soldados. Seus líderes se refugiam na Bolívia.


Em 1927, as rebeliões foram controladas. Mas o movimento tenentista continua ativo e terá papel decisivo, três anos depois, na Revolução de 1930.

Roteiro: Fernando Navarro

icon

Ensinar e Aprender


1. Estudar e discutir a influência dos objetivos políticos do movimento tenentista e suas implicações sociais: divisão do poder, atuação do Exército.

2. Fazer uma dramatização sobre a revolta tenentista ocorrida em São Paulo no ano de 1924. Essa atividade poderá ser integrada à disciplina Educação Artística.

Visita para complementar o estudo:

Museu Histórico do Exército e Forte Copacabana
Pça. Coronel Eugênio Franco, nº1 - Copacabana Rio de Janeiro - RJ - Brasil. Agendar Visitas: 3ª/dom.; 10h/16h.

Bibliografia

BORGES, Vavy Pacheco. Tenentismo e revolução brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1992.

DRUMMOND, José Augusto. A Coluna Prestes: rebeldes errantes. São Paulo: Mercado Aberto, 1991.

____________. O Movimento Tenentista: a interveção política dos oficiais jovens (1922-1935). Rio Janeiro: Graal, 1986.

MEIRELES, Domingos. As Noites das grandes fogueiras: uma história da Coluna Prestes. Rio de Janeiro: Record, 1995.

SODRÉ, Nelson Wernek. O Tenentismo. São Paulo: Brasiliense, 1985.