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O Teatro Brasileiro de Comédia
       

Nos anos 50, o TBC - Teatro Brasileiro de Comédia é o grande modernizador do teatro no país.
No comando do TBC está Franco Zampari, italiano radicado no Brasil desde 1922.

Foto Franco Zampari
Franco Zampari

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Fachada do TBC

Em 1945, Franco Zampari escreve uma peça de teatro chamada "A Mulher de Braços Alçados". Napolitano, engenheiro das Indústrias Matarazzo e amante das artes, Zampari apresenta sua peça numa festa da alta sociedade de São Paulo. Essa brincadeira entre amigos é a semente que brota e acaba motivando Zampari para uma dedicação mais profunda ao teatro.


Nas décadas de 30 e 40 predominavam, no teatro brasileiro, espetáculos humorísticos centrados em um ator principal, valorizado por sua capacidade de comunicação direta com o público e suas habilidades de improvisador.
O ator era, em geral, o dono da companhia e sua principal atração. Procópio Ferreira, Jaime Costa e Dulcina de Morais são exemplos.

Nos anos 40, uma vontade geral de transformar esse modo de fazer teatro se propaga por grupos amadores, formados por universitários, intelectuais e profissionais liberais. Décio de Almeida Prado funda o Grupo Universitário de Teatro. Alfredo Mesquita dirige o Grupo de Teatro Experimental e funda a primeira escola de atores do Brasil, a EAD - Escola de Arte Dramática, em São Paulo.

Esta febre de mudanças tem dois alvos prioritários: o repertório dos textos encenados e a técnica. Movidos pela força da paixão, os amadores brasileiros viabilizam parte desse projeto.

Em 1948, Franco Zampari, associado a um grupo de empresários de São Paulo, cria o TBC - Teatro Brasileiro de Comédia. Transforma um velho casarão em teatro aparelhado com 18 camarins, duas salas de ensaio, uma sala de leitura, oficina de carpintaria e marcenaria, almoxarifados para cenografia e figurinos, além de modernos equipamentos de luz e som. Um luxo para a época.

Na noite de 11 de outubro , o TBC estréia com espetáculo duplo. "A Voz Humana", monólogo de Jean Cocteau, interpretado em francês pela atriz Henriette Morineau. Completa a apresentação a peça "A Mulher do Próximo", escrita e dirigida por Abílio Pereira de Almeida. No elenco está a jovem atriz Cacilda Becker, que mais tarde se torna um dos maiores mitos do teatro brasileiro. A estréia é um sucesso.

O TBC renova a sistemática do trabalho teatral. Monta uma equipe fixa, com encenadores estrangeiros como Adolfo Celi, Ziembinski, Ruggero Jacobi, Luciano Salce e Flamínio Bollini Cerri. Além de cenógrafos, iluminadores e cenotécnicos, contrata um corpo de atores que inclui Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Nydia Lícia, Cleyde Yáconis, Paulo Autran, Tônia Carrero e muitos outros nomes importantes para o teatro brasileiro.

A partir de 1949, Zampari expande suas atividades nas artes e inicia a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. As histórias da Vera Cruz e do TBC se misturam. Diversos artistas e técnicos trabalham para as duas companhias. Ao longo de sua existência, o TBC alterna grandes sucessos com fracassos de público.
As constantes crises econômicas da companhia levam-na ao fechamento em 1964.

O TBC é um marco na história do teatro brasileiro. Formou toda uma geração de atores, diretores e dramaturgos. Suas encenações estão documentadas nestas fotos de Fredi Kleemann, ator do TBC e fotógrafo de teatro. Diversas companhias teatrais têm origem no TBC, como as de Nydia Lícia e Sérgio Cardoso; de Tônia Carrero, Adolfo Celi e Paulo Autran; e de Cacilda Becker. Também o Teatro de Arena e o Teatro Oficina, que apesar de terem propostas diferentes, partem do TBC como referência.

O TBC fez uma das mais importantes revoluções no teatro brasileiro ao estabelecer um novo conceito de profissionalismo. Encenou textos de qualidade, com montagens bem cuidadas e renovou o ambiente cultural brasileiro.

Roteiro: Fernando Navarro

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Ensinar e Aprender


1. Em 1945 termina a II Guerra Mundial. A cidade de São Paulo vive momentos de efervescência cultural e o teatro marca sua presença como um elemento para discussão da censura/opressão. Pesquisar a importância do TBC no cenário artístico e político do Brasil.

2. Fazer um levantamento dos acontecimentos sociais, educacionais e políticos em torno da comunidade. Propor aos alunos representar um desses acontecimentos por meio de uma peça teatral (roteiro, cenário, apresentação).

3. Discutir a relevância histórica da preservação de documentos para estudo e pesquisa. Montar uma exposição (fotos, textos, música, objetos etc.) ilustrando o cenário cultural brasileiro nos anos 40.

4. Propor aos alunos irem ao teatro e analisar uma peça com base nos seguintes critérios:
-idéia/tema: motivador, inovador, estimula a reflexão;
-roteiro: claro, equilibrado, bem desenvolvido;
-realização: visual, música, cenário, ritmo;
-público: faixa etária.

Visitas para complementar o estudo:

Museu dos Teatros
Rua São João Batista, 103/105 - Botafogo Rio de Janeiro - RJ - Brasil.
Agendar visitas: 3ª/6ª; 13h/17h.

Museu da Imagem e do Som
Praça Rui Barbosa, nº 1 - Centro Rio de Janeiro - RJ - Brasil.
Agendar visitas: 2ª/6ª, 12h/18h; sáb., 12h30/18h.

Museu do Teatro Municipal
Baixos do Viaduto do Chá, s/nº - Centro São Paulo - SP - Brasil.
Agendar visitas: 2ª/6ª; 8h/17h.

Bibliografia

MICHALSKI, Yan & PEIXOTO, Fernando. Ziembinski e o teatro brasileiro. s.l.: Funarte, s.d..

PEIXOTO, Fernando. O que é Teatro. São Paulo: Brasiliense, l987 (Primeiros Passos, 10).

SANTOS, José Luiz dos. O que é Cultura. São Paulo: Brasiliense, l984 (Primeiros Passos, 9)