O presidente do Chile, Salvador Allende, declarou logo após sua
eleição: "A história nos ensinou que os grupos
ultra-revolucionários não desistem do poder e lutam para
conquistá-lo". Ao custo de sua própria vida, a história
lhe provaria isso.
Em 1970, o Chile, aliado dos Estados Unidos, vê com ansiedade
o líder marxista Salvador Allende subir ao poder. Em 1964 ele
já concorrera às eleições, quase vencendo
o candidato democrata cristão Eduardo Frei. Fidel Castro apóia
Allende. Os objetivos básicos de Allende são a nacionalização
das minas de cobre do Chile - Kenecott Copper e Anaconda, duas imensas
multinacionais americanas - e a redistribuição da terra
aos camponeses. Apesar dos milhões de dólares dados pela
CIA aos opositores de Allende, ele é eleito em 4 de setembro
de 1970. A CIA tenta evitar a posse do presidente. Os investimentos
privados do Chile caem a zero e o desemprego aumenta.
Allende afirma seu direito de chefe de Estado eleito e, em 4 de novembro
de 1970, a presidência é confirmada pelo Congresso. É
o triunfo do partido de Unidade Popular. O governo de Allende declara-se
socialista.
Ao descobrir que os trusts americanos levavam lucros excessivos
para fora do país, Allende nacionaliza as minas de cobre. Logo
surge o espectro da ala da direita e dos militares. A companhia americana
Telefone e Telégrafo Internacional - ITT -, com mais de duzentos
milhões de dólares investidos no Chile, organiza o estrangulamento
econômico do país. Prova-se isso por este telegrama: "As
linhas de crédito bancário não devem ser renovadas
e nem os prazos dilatados. As companhias devem adotar um ritmo lento
no envio de verbas, nas entregas e no embarque de peças sobressalentes.
Devemos retirar toda ajuda técnica e não daremos assistência
técnica no futuro."
4 de setembro de 1972. Allende denuncia em vão, nas Nações
Unidas, as tentativas norte-americanas de desestabilização
do Chile. A situação econômica logo torna-se catastrófica.
O povo protesta em manifestações turbulentas. A organização
da extrema direita "País e Liberdade" torna-se violenta. As mulheres
protestam contra a penúria e falta de alimentos básicos.
Os caminhoneiros organizam um boicote na estrada, bloqueando o tráfego
com cinqüenta mil caminhões. A economia entra em colapso.
Por todo lado vê-se o caos.
11 de setembro de 1973. Apoiada e possivelmente subornada pela CIA,
a maioria do exército e da polícia subleva-se. O governo
de Allende é derrubado. Cercados no palácio presidencial
e bombardeados pela Força Aérea, Allende e alguns colaboradores
leais resistem de armas na mão. São todos mortos em circunstâncias
até hoje desconhecidas.
O exército chileno - liderado por Augusto Pinochet -, que naquele
dia derrubara Allende, é pouco misericordioso com os revolucionários
do Partido de Unidade Popular. A repressão militar é vingativa.
Mais de cem mil pessoas são presas e torturadas; trinta mil são
assassinadas. A ditadura sangrenta de Pinochet dura mais de 16 anos.
|