Na Argentina, o nome de Perón certamente ecoará por longo
tempo. Juan Domingo Perón, presidente e quase ditador. Sua doutrina
ainda vive, embora ele e sua mulher Evita tenham morrido há muito
tempo.
Em junho de 1943, Juan Domingo Perón participa de um golpe militar
e torna-se ministro do Trabalho. Em 1944, é nomeado vice-presidente
da República Argentina. Perón congrega as forças
trabalhistas de todas as legendas políticas, pregando uma doutrina
que chamou de justicialismo, uma mistura de totalitarismo com
reforma social.
Em 24 de fevereiro de 1946, é eleito presidente. Com o apoio
dos grupos trabalhistas, inaugura um programa maciço de industrialização.
O peronismo é uma combinação única de nacionalismo
argentino e democracia social, que favorece os grupos trabalhistas e
ao mesmo tempo encoraja o crescimento da classe média.
Com a oposição absolutamente dominada, Perón é
reeleito presidente em 1951.
Sua mulher, Eva Perón, conhecida como Evita, ex-artista de rádio
e de cinema, é idolatrada pelos pobres da Argentina. Começa
a trabalhar com o marido no programa de reformas sociais e é
chamada de "mãe dos descamisados".
Em julho de 52, Evita morre de leucemia. Quase um milhão de argentinos
acotovelam-se para seguir o cortejo do seu funeral. Com sua morte, o
país perde a estabilidade e a popularidade de Perón começa
a declinar.
Após sucessivas crises durante três anos, a chamada "revolução
da libertação", liderada pelo exército e apoiada
pela Igreja, depõem Perón, que segue exilado para a Espanha.
Mesmo do exílio, o carismático Perón continua a
exercer forte influência na Argentina. Em Torremolinos, na Costa
do Sol espanhola, ele espera por seu destino. A fotografia de sua mulher
Evita, sua partidária mais leal, está sempre por perto.
Em 1971, tem início uma campanha para a volta de Perón.
Seus partidários exercem tanta pressão que, após
17 anos de exílio, ele é anistiado. Em 72, o Partido Peronista
sobe ao poder e Héctor Cámpora torna-se presidente.
Perón volta em triunfo para um país dividido e tenso.
Três meses após sua volta, Héctor Cámpora
não resiste mais à pressão do Partido Peronista
e deixa a presidência.
Em primeiro de julho de 74, um ano depois de uma apoteótica vitória
eleitoral, Juan Domingo Perón morre aos 77 anos de idade. Embora
muitos o chamassem de fascista e ditador, ele foi o símbolo do
movimento trabalhista da Argentina.
Até hoje se vêem pôsteres de Perón e Evita
nas paredes de Buenos Aires. Isabel, a terceira mulher de Perón,
substitui o presidente, mas em 76 é deposta por um golpe militar.
Os sucessivos governos militares tentaram apagar a imagem do peronismo,
ou justicialismo, uma doutrina que até hoje vive nos corações
de muitos argentinos.
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