Desde os acontecimentos de novembro de 1989, já não existe
o mais autêntico monumento à Guerra Fria que o mundo conheceu:
o Muro de Berlim, construído 28 anos antes, já não
serve para nada.
Até 1961, dezenas de alemães orientais arriscaram a vida
na tentativa de atravessar limites de arame farpado. Depois de agosto
de 1961, o Muro de Berlim impediu que o mundo esquecesse que a Alemanha
havia sido cortada ao meio.
1987. Berlim comemorava seus setecentos e cinqüenta anos de fundação.
O presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, estava presente e falou
de sua esperança de que um dia aquele "muro da vergonha" deixe
de existir. Ele disse:
-"Senhor Gorbachov, abra estes portões! Senhor Gorbachov, derrube
esta parede!"
Na Conferência de Potsdam, ao final da Segunda Guerra Mundial,
Estados Unidos, Grã-Bretanha e União Soviética
haviam decidido que a Alemanha, derrotada, seria dividida. Na capital
Berlim seriam criadas quatro zonas: uma inglesa, uma francesa, uma americana
e uma soviética.
Em 1948, os Aliados haviam criado a famosa "Linha Berlim", que lhes
permitiu sobrevoar o território de Stalin e superar o bloqueio
por água.
Mas, Khruschov, que sucedeu a Stalin, foi mais longe. Em agosto de 1961
foi construído um muro de aço, concreto e arame farpado,
que definitivamente separou a Alemanha Oriental da Alemanha Ocidental.
Portas e janelas das casas próximas à fronteira foram
lacradas, e os moradores, forçados a mudar dali.
Quando ficou pronto, o muro media 46 quilômetros de comprimento
e tinha postos de guarda em toda a sua extensão. Mesmo assim,
muitos alemães orientais continuavam a arriscar a vida para fugir.
Em 1963, o presidente John Kennedy visitou Berlim e declarou: "Eu sou
berlinense".
Mas o muro continuou lá por muitos anos. Muitos alemães
orientais, principalmente os jovens, fartos da autocracia implantada
por Honnecker, depositaram suas esperanças de uma vida melhor
na glasnost de Gorbachov.
Outono de 1989. Passeatas forçaram a renúncia de Honnecker.
Quem o sucedeu foi Egon Krentz. Mas, o novo regime não poderia
evitar o que já era inevitável. Em 12 de novembro de 1989,
Krentz foi forçado a restaurar o livre trânsito entre as
duas áreas de Berlim. Os alemães orientais, eufóricos,
passaram literalmente a arrancar os pedaços do muro. Milhares
de pessoas já podiam passar livremente da Alemanha Oriental para
a Ocidental e descobrir um mundo que lhes fora proibido por quase 30
anos.
|