Desde 1975 conflitos acontecem no Líbano: cristãos contra
palestinos; palestinos contra muçulmanos; muçulmanos contra
muçulmanos. Uma guerra interminável. E uma guerra em que
morreram não apenas libaneses.
A leste e ao sul do Líbano, sírios e israelenses jogam
seu jogo mortal de "dividir para conquistar". Reféns, bombardeios,
massacres, carros-bomba, campos de concentração de refugiados.
Desde 1975, o Líbano tem sido o campo de extermínio de
inúmeros senhores da guerra. Entretanto, nem faz tanto tempo,
esta região era um símbolo de tolerância e vida
digna.
Em Israel, a poucos quilômetros do Líbano, os judeus veneram
o Muro das Lamentações, os cristãos cultuam o lugar
do sacrifício de Jesus, e os muçulmanos, a rocha de onde
o cavalo de Maomé saltou, levando-o para o céu.
Mesmo assim, nestes anos, morreram no Líbano mais de cem mil
pessoas. Trinta por cento da população foi evacuada e
mais de trezentos mil libaneses escolheram viver no exílio a
ter de conviver com a guerra.
Por que tanto ódio?? Por que tanta loucura??
1975. Antes do início da guerra, o Líbano era uma nação
aberta e democrática. Beirute era a capital financeira e bancária
de todo o Oriente Médio, uma próspera Suíça
Oriental.
A situação do Líbano, contudo, é complexa.
Dezessete diferentes comunidades convivem num exíguo território
de três milhões de habitantes. Os cristãos e os
muçulmanos dividem-se em muitos grupos. E há os refugiados
palestinos.
Governos cristãos gozavam de muitas regalias, mas já não
alcançavam a maioria. Os muçulmanos aspiram a um poder
maior e a mais influência na economia libanesa. E se impacientam
com a resistência que os cristãos oferecem às mudanças.
Assim como há vários grupos e comunidades, o país
divide-se em clãs poderosos, cada um com sua milícia armada.
Outras nações decidem intervir: a Síria tenta manter
sua supremacia no Oriente Médio; o Irã também intervém
através do Hezbollah; e Israel revida, agredindo os países
árabes que oferecem proteção aos grupos que lutam
pela libertação da Palestina.
Mais de trezentos mil palestinos vivem em campos de concentração
de refugiados no Líbano, de onde emergiu um poderoso exército
palestino.
A Organização de Libertação para a Palestina,
liderada por Yassir Arafat, nasceu nesses campos de refugiados.
Cristãos contra cristãos; muçulmanos contra muçulmanos;
palestinos contra palestinos. Os grupos se subdividem. Os inimigos trocam
de lado.
O número de libaneses que atualmente vive fora do Líbano
já é maior que o número que permaneceu no país.
Esses libaneses estão longe, vivendo da esperança de que
a paz volte a reinar e possam, afinal, voltar para casa.
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