volta - Alô Escola
Fome na Etiópia
       

A colonização da África por potências da Europa, no século XIX, é a origem dos vários males que agora afligem o continente. Entre guerras e desgraças causadas pelas secas, cinqüenta milhões de etíopes ultrapassaram a sua cota de sofrimento.

É na Etiópia, antiga Abissínia, que se encontram os mais antigos traços de civilização no continente. Mas, o país está hoje entre os cinco mais pobres do planeta, fornecendo ao mundo as mais terríveis imagens da fome.

1973. Duzentas e cinqüenta mil pessoas morrem de fome. O imperador Hailé Selassié, temendo desestimular o turismo, não recorre à ajuda internacional. Em 1974, em meio ao caos econômico e a acusações de corrupção, Hailé Selassié é derrubado e sucedido três anos mais tarde pelo coronel Mengistu.

O novo governo, apoiado pelos soviéticos, enfrenta guerrilhas nas províncias de Eritréia e Tigre. No leste, explode também uma guerra com a Somália, que reivindica a província de Ogaden. Milhares de pessoas são forçadas a se retirar. Vêm para estes acampamentos juntar-se às vítimas da seca endêmica causada pelo desflorestamento e pela erosão do solo. Embora seja possível a perfuração de poços de água, os etíopes ainda não possuem os meios para isso. As fontes subterrâneas de água continuam inexploradas pelos fazendeiros mal equipados.

O transporte de alimento é um problema ainda maior. Um DC-3 de 42 anos é a ligação vital entre os refugiados e Adis Abeba, a capital. Shimelis Adougna é uma das pessoas responsáveis pelo socorro de emergência na Etiópia. Ele diz: "Estamos vivendo uma situação de emergência muito séria na Etiópia. Das quatorze províncias, nove foram atingidas pela seca. Cerca de cinco milhões de pessoas estão expostas ao perigo da fome. Nossos esforços são feitos no sentido de atrair a atenção internacional e assistência. A resposta não tem correspondido às nossas expectativas e não chega nem de perto de suprir as necessidades..."

A guerra é o maior obstáculo para resolver o problema da fome. Para combater os guerrilheiros, o governo gasta mais de um milhão e meio de dólares comprando armas dos soviéticos. Tal procedimento não ajuda a encorajar a assistência do Ocidente, que teme ver o seu dinheiro convertido em munição. Por outro lado, os guerrilheiros de Tigre e Eritréia destróem grandes quantidades de alimentos enviados pela comunidade internacional porque, como dizem, os estoques foram transportados com a ajuda do governo.

O coronel Mengistu tenta resolver o problema deportando seiscentas mil famílias das regiões montanhosas do norte para o sul, cerca de três milhões de pessoas. Milhares delas morrem no caminho; outras não conseguem se adaptar ao novo clima e modo de vida.

O regime arcaico de Hailé Selassié durou 44 anos. O governo de Mengistu chega ao fim em 1991, após quatorze anos de ditadura. Ainda que a paz se aproxime da Etiópia, será difícil recuperar o tempo perdido em uma das mais longas guerras da África moderna. Durante anos, o desenvolvimento foi relegado ao segundo plano em favor da luta pelo poder político. Nesse período, o deserto continua o seu avanço inexorável, com milhões de etíopes vivendo um inferno na Terra.