O Tibete é o "teto do mundo", o país de Yeti, o abominável
homem da neve, e das neves sagradas. Foi onde nasceu o "deus vivo",
o Dalai Lama, que durante mais de trinta anos recusou-se a aceitar o
domínio chinês.
Em 10 de março de 1959, o povo tibetano revoltou-se contra a
ocupação do seu país pelos chineses. A invasão
foi brutal. Os monges budistas foram perseguidos e os santuários,
destruídos. O líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama,
nomeou um líder substituto pró-chinês, Pam Chem
Lama.
Em 17 de março de 1959, o Dalai Lama fugiu. Seu palácio
de Potola perdeu a alma divina. O Dalai Lama viveu mais de trinta anos
em Damsala, na Índia. É até hoje a alma divina
e o líder espiritual do Tibete, a encarnação dos
seus valores ancestrais e espirituais.
O platô do Tibete, "o teto do mundo", faz fronteira com a China
e a Índia.
O Tibete foi influenciado por seus dois imensos vizinhos, mas manteve
sua identidade cultural. A China controla a maior parte da sua vida
rotineira. Da Índia, eles herdaram a religião budista
e seus textos sagrados antigos.
Os quarenta anos de domínio chinês não conseguiram
acabar com o budismo do Tibete. A maioria dos tibetanos mantém
sua religião, sabendo que há mais de duzentos milhões
de budistas no mundo todo. Hoje, o Tibete ainda é considerado
o país do Lamaísmo, apesar da destruição
de grande parte de seus templos.
A cultura tibetana é totalmente ligada ao budismo. O Dalai Lama,
ou "mar de sabedoria", é a reencarnação de Buda,
é o deus vivo. Seis milhões de tibetanos esperam a volta
de seu líder espiritual. Mas, ele só voltará para
o palácio Potola quando seu país estiver em paz.
No final dos anos 80, as filosofias tibetana e chinesa conviviam com
dificuldade. Em outubro de 87 e março de 89, violentas manifestações
foram reprimidas e milhares de monges budistas foram mortos.
Em 5 de outubro de 89, o Dalai Lama recebeu o Prêmio Nobel da
Paz, em reconhecimento à sua liderança espiritual. Os
chineses foram contra essa homenagem.
Em 12 de julho de 90, ainda lutando pela paz, ele foi recebido pelo
papa João Paulo II. Depois desse encontro, o Dalai Lama declarou:
"Às vezes me sinto mal de não poder fazer nada pelo meu
povo. Mas, talvez minha mudança trágica tenha dado algum
objetivo à minha vida".
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