1956. A região do Canal de Suez está à beira de
uma guerra. França e Grã-Bretanha, com a cumplicidade
de Israel, querem assumir o controle do Canal, que está sob a
guarda do Egito. Moscou e Washington, desta vez em pleno acordo, estão
furiosas.
Sem o Rio Nilo, o Egito está perdido. Com seus quarenta e cinco
milhões de habitantes, o Egito é o país mais populoso
do mundo árabe.
A represa de Assuan, que inaugurou o processo de modernização
do Egito, é obra do governo do general Gamal Abdel Nasser, fundador
da República do Egito. A história da construção
desta represa é um bom exemplo do fosso que separa os países
ricos dos países pobres.
1956. Nasser é presidente. Antes de mais nada, porém,
é um nacionalista que quer fazer do Egito um país independente,
industrializado, e modelo para todo o mundo árabe.
Mas, o Canal de Suez é controlado por uma corporação
privada, francesa e inglesa. Além disso, o Egito não tem
infra-estrutura industrial e são poucos os trabalhadores e técnicos
especializados. Para completar, o Egito vive em estado de permanente
hostilidade contra Israel.
No período entre 1954-55, a França vende tantas armas
a Israel que Nasser vê-se obrigado a se igualar ao adversário.
Tenta, de início, comprar armas dos americanos. Como não
consegue, volta suas atenções para o bloco soviético.
Em represália, Washington suspende a ajuda técnica para
a construção da represa de Assuan. Mas, Nasser não
se intimida e nacionaliza a região do Canal de Suez.
Com a riqueza gerada pela exploração do Canal, consegue
financiar a contrução da represa. Com a colaboração
técnica dos soviéticos, consegue ampliar sua área
de influência até o Oriente Médio.
Em 26 de julho de 1956, da janela do prédio da Bolsa de Valores
do Cairo, Nasser pronuncia um discurso histórico. Ao mesmo tempo,
seu exército se prepara para tomar as instalações
do Canal. A operação é iniciada com uma expressão
"senha": quando Nasser menciona o nome de Ferdinand de Lesseps - engenheiro
francês que construiu o canal em 1869 - as forças egípcias
assumem o controle do Canal de Suez.
Na França, como na Grã-Bretanha, a notícia da nacionalização
explode como uma bomba. Ao mesmo tempo, a União Soviética
enfrenta o Levante da Hungria.
Franceses e Ingleses se unem num plano para derrubar Nasser do poder
e reassumir o controle do Canal, com a ajuda de Israel. O plano é
simples: Israel ataca o Egito e, assim, dá motivo para que franceses
e britânicos intervenham na região.
Como os historiadores diriam mais tarde, é a última grande
investida colonialista do século.
A União Soviética ameaça Londres e Paris com um
ataque nuclear.
O presidente americano Dwight Eisenhower quer dar um fim ao conflito.
Negocia uma venda maciça de libras inglesas, provocando a queda
do valor de mercado da moeda. Londres, em pânico, suspende os
combates no mesmo dia. Os americanos, assim, conseguem controlar a crise
do Canal de Suez. Abdel Nasser torna-se o herói do mundo árabe
e, por extensão, herói de todo o Terceiro Mundo.aproveitar,
a primeira oportunidade de diálogo com o Terceiro Mundo.
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