Os americanos consagraram um inglês - Winston Churchill - como
o Homem do Século. Durante 65 anos, Winston Churchill esteve
no epicentro das maiores crises mundiais, ora comandando o império
britânico, ora derrotando o nazismo. Também homem de letras,
recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.
24 de janeiro de 1965: Churchill morre pacificamente em Londres, aos
90 anos. Este "Homem do Século" foi, para os povos do mundo ocidental,
o herói da democracia e, sem sombra de dúvida, o homem
que derrotou o fascismo.
Para milhões de ingleses, ele foi, durante a Segunda Guerra Mundial,
o símbolo de uma feroz resistência contra Hitler. Com a
França derrotada, em 1940, e os Estados Unidos insistindo em
se manter neutros, Churchill e o povo inglês estavam praticamente
sós na luta contra Hitler.
Em 30 de maio de 1940, com 66 anos, Churchill torna-se primeiro-ministro
inglês pela primeira vez, pronunciando um discurso de apenas uma
linha: "Nada posso oferecer além de sangue, cansaço, lágrimas
e suor". Mas, disse que Hitler seria derrotado.
Um homem velho, praticamente só, com uma única e terrível
missão: enfrentar a formidável máquina de guerra
que a Alemanha havia montado.
Em 1941, o Presidente Roosevelt garantiu a Churchill a total colaboração
dos americanos. Em dezembro de 41, o ataque japonês a Pearl Harbor
obrigou os americanos a entrarem na guerra. Churchill foi o arquiteto
da aliança vitoriosa entre a Grã-Bretanha, os Estados
Unidos e a União Soviética. Para derrotar Hitler, todos
os aliados são bem-vindos, mesmo os bolcheviques. O otimismo
de Churchill e sua espantosa energia animaram e serviram de inspiração
aos ingleses. Mas, à medida em que mais próxima parecia
a derrota de Hitler, outra sombra parecia erguer-se sobre a Europa.
Churchill, ao contrário de Roosevelt, nunca confiou em Stalin.
Na opinião de Churchill, a Conferência de Yalta, em 4 de
fevereiro de 1945, foi um fracasso total. Stalin não pretendia
restabelecer a democracia nos territórios libertados pelo Exército
Vermelho. Em 7 de maio de 1945, os alemães assinavam sua rendição
incondicional.
Depois de anunciar a vitória dos Aliados, Churchill foi a Potsdam,
na Alemanha, em julho de 1945, para uma conferência com Truman
- então presidente dos Estados Unidos - e Stalin. Foi lá
que soube de sua derrota eleitoral. Abandonando o herói dos tempos
difíceis, o povo inglês havia preferido entregar aos trabalhistas
a enorme tarefa da reconstrução nacional. Churchill aceitou
o veredito, declarando que esta era a lei da democracia que ele havia
defendido durante seis longos anos.
Fiel ao seu destino, tornou-se líder da oposição
e foi coerente sempre. Foi o primeiro a perceber que uma cortina
de ferro começava a separar a Europa em dois mundos. Reeleito
primeiro-ministro em 1951, renunciou ao cargo quatro anos mais tarde,
mas conservou o lugar que tinha na Câmara dos Comuns, até
completar 90 anos.
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