Viajar do Atlântico ao Pacífico e ao mesmo tempo revolucionar
o transporte marítimo: este foi o gigantesco empreendimento de
Ferdinand de Lesseps em 1876, com seu plano de construção
do Canal do Panamá.
O Panamá, famoso pelo seu canal, virou manchete quando foi governado
pelo general Manuel Noriega, acusado pelos Estados Unidos de tráfico
de drogas.
Em dezembro de 89, os Estados Unidos invadem o país e prendem
Noriega. O tráfego do canal se normaliza. O Panamá - um
país minúsculo com dois milhões de habitantes,
uma próspera zona livre e um paraíso fiscal - volta à
democracia.
O comércio internacional do mundo inteiro passa pelo canal. Todo
dia, quarenta navios cruzam o eixo das Américas, inclusive três
embarcações remanescentes do último século.
Antes da construção do canal, navegar de uma costa a outra
dos Estados Unidos significava dar a volta por toda a América
do Sul, uma viagem que durava semanas.
Hoje, a passagem do Atlântico para o Pacífico leva apenas
dez horas.
Depois de construído o Canal de Suez, ligando o Mar Vermelho
ao Mediterrâneo, o engenheiro francês Ferdinand de Lesseps
empreendeu esse outro projeto faraônico, nessa região difícil
e isolada. Primeiro foi preciso cortar a densa mata virgem.
Vinte e cinco mil operários morreram no primeiro terço
da construção do canal. Depois de oito anos de trabalho,
os franceses desistiram do desafio e ofereceram os direitos de construção
aos americanos.
Mas a Colômbia, co-proprietária, não aceitou essa
transferência. Em 1903, tropas e navios de guerra americanos forçaram
a Colômbia a abrir mão de seus direitos e os Estados Unidos
recomeçaram a construção, dessa vez com muito dinheiro
e melhores recursos. O canal foi terminado em dez anos. Esse projeto
ambicioso equivalia, na época, à conquista espacial do
nosso tempo.
Os franceses pretendiam construir um canal escalonado como o de Suez,
mas os americanos preferiram o sistema mais simples de eclusa. Os navios
são rebocados através das eclusas por trenzinhos chamados
"mulas".
O Panamá vai se tornar o único dono do canal no ano 2000,
segundo um acordo assinado em 1977 em Washington, entre o presidente
Carter e o antecessor do general Noriega, Omar Torrijos.
Cerca de 25% da riqueza do Panamá provém do Canal. O país
é considerado um paraíso fiscal e um centro bancário
internacional. Cerca de cem bancos estrangeiros localizam-se lá.
Basta a abertura de uma companhia panamenha para que se obtenha a isenção
de impostos.
Outra fonte de renda do Panamá é a zona livre, em Colón,
na Costa Atlântica. Ali, tudo é comprado com isenção
de taxas e impostos, como em Hong Kong. Grandes fortunas são
construídas nesse país.
Há uma base militar permanente no Panamá, com doze mil
soldados americanos que protegem os interesses desse eixo de comunicação
Atlântico-Pacífico, o verdadeiro centro das três
Américas.
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