No monumento dos mártires, em Argel, há uma cripta dedicada
aos mártires da Argélia, conhecidos e desconhecidos, que
deram suas vidas ao longo dos cento e trinta anos de luta pela independência.
Aos olhos do mundo, a Argélia parece uma nação
nova. É o segundo maior país da África - um pouco
menor que o Sudão - e um grande país, com uma história
de mil anos. Os argelinos lembram isso ao mundo com o monumento localizado
no alto da capital, Argel. É uma obra-prima da tecnologia moderna,
simbolizando a nação e seu povo.
O islamismo é o único traço cultural comum em uma
diversificada população de trinta milhões de habitantes.
Os antigos habitantes da região eram chamados "amazich" ou "homens
livres". Essa palavra simboliza também o desejo de liberdade
cultivado pela Argélia durante séculos.
O país ocupa parte do território do antigo reino da Numídia.
Seu rei Massinissa ficou famoso por sua frase "a África para
os africanos". O neto de Massinissa, o rei Jughurtha, lutou heroicamente
contra o Império Romano. Os sóis simbolizam os algerianos
de hoje, que devem sua liberdade aos oito anos de luta sangrenta contra
uma das grandes potências militares da época, o exército
francês. A guerra foi de 1954 a 1962, pondo fim a cento e trinta
anos de ocupação colonial.
Tudo começou no palácio do Rei de Argel. Em 30 de abril
de 1827, o rei Hussein estapeou o cônsul francês com um
abanador de mosca. Esse incidente, seguido do fogo ateado a um navio
francês, em 1829, seria pretexto para a conquista francesa da
Argélia.
O porto de Argel foi bloqueado e ocupado pelas tropas francesas. As
primeiras tropas chegaram em Sidi-Ferruch em junho de 1830. Argel capitulou
no mês seguinte, mas os movimentos de resistência contra
a França duraram décadas. Um dos principais heróis
da resistência foi o emir Abd El Kader, que lutou com sucesso
durante quinze anos. Como as tropas inimigas eram mais numerosas, ele
acabou se rendendo. Depois de anos em prisões francesas, voltou
a viver na Argélia, sendo um exemplo para os argelinos.
Durante a ocupação, os franceses enfrentaram constantes
períodos de rebelião, em geral violentas. Os franceses
controlavam as leis, a forma de governo, a educação e
as instituições sociais. Os argelinos viviam como cidadãos
de segunda classe. No período colonial havia uma forma de apartheid,
em que quase um milhão de habitantes de origem européia
tinha mais direitos legais que os dez milhões de argelinos muçulmanos.
As várias promessas quebradas finalmente suscitaram a revolução
que germinava há anos.
A guerra começou em primeiro de novembro de 1954, com uma insurreição
liderada por um pequeno grupo que criou a Frente de Libertação
Nacional, a FLN. Em dois anos, a FLN já controlava dois terços
da população muçulmana. Após oito anos de
uma guerra sangrenta, a Argélia finalmente conseguiu a independência.
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