volta - Alô Escola
África do Sul
       

A República Sul-Africana foi a nação em que o racismo mais teve influência na política. Sua antiga Constituição incluía artigos de clara segregação racial e discriminação entre os cidadãos, conhecidos como leis do "apartheid".

O apartheid atingia a habitação, o emprego, a educação e os serviços públicos. Foi implantado para favorecer a permanência no poder de uma minoria branca. Mas, a partir de 1990, Frederick de Klerk, sucessor de Pieter Botha, vendo-se acuado pelas pressões estrangeiras, condena oficialmente o apartheid e liberta líderes políticos, entre eles Nelson Mandela.

Shaperville, 21 de março de 1960. Vinte mil negros protestam contra a lei que os obriga a portar cartões de identificação. O exército atira sobre a multidão. Saldo: 67 mortos e 186 feridos. O Congresso Nacional Africano, que é o maior grupo organizado de oposição ao apartheid, responde à brutalidade do ataque abandonando a política de não-violência. O líder do movimento, Nelson Mandela, viria a ser preso e sentenciado à prisão perpétua.

A África do Sul tem uma população de cinco milhões de brancos, 29 milhões de negros, 2 milhões de mulatos e um milhão de asiáticos. O governo é composto quase exclusivamente de brancos.

A África do Sul é um país de grande importância estratégica para o mundo ocidental. Ao longo de sua costa viajam quase todos os navios que transportam petróleo para o Ocidente. A África do Sul é rica em ouro, diamantes, carvão, ferro, minérios, cromo e urânio, vital para a indústria militar.

Os colonizadores brancos, vindos na maioria da Holanda - mas muitos também da França -, começaram a chegar à África do Sul no século XVII. No final do século XVIII, explodiu a guerra entre eles e os bantos da África Central, que já habitavam a região. Os colonizadores ingleses só começaram a chegar em maior número, depois de 1814. As tensões entre holandeses e ingleses culminaram na Guerra dos Bôeres, que prolongou-se de 1888 a 1902.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, as leis de segregação racial na África do Sul eram semelhantes às que haviam nos Estados Unidos. Quando o Partido Nacional subiu ao poder, em 1948, tratou de montar um aparelho de repressão mais eficiente, com o objetivo de reforçar o apartheid. O apartheid estabelece a existência de quatro grupos: brancos, negros, mulatos e asiáticos. Estes grupos deveriam viver em territórios separados, designados pelas autoridades. No ponto mais baixo da escala social ficavam os 29 milhões de negros. Estes trabalham nas minas, sob a autoridade de capatazes brancos, e vivem em guetos miseráveis e superpovoados. A minoria de cinco milhões de brancos goza de alto padrão de vida e detém todo o poder.

1986. A comunidade internacional, condenando o apartheid, determina várias sanções econômicas contra a África do Sul. O regime começa a se deteriorar. Ondas de violência varrem o país.

5 de julho de 1989. O presidente sul-africano Pieter Botha entrevista-se com Nelson Mandela para preparar sua libertação. Mas, foi o seu sucessor na liderança do Partido Nacional, Frederick de Klerk, que no dia 2 de fevereiro de 1990 anuncia no Parlamento as primeiras medidas para pôr fim ao sistema de apartheid. Liberaliza o Congresso Nacional Africano, o Congresso Pan-Africano e o Partido Comunista Sul-Africano.

11 de fevereiro. Nelson Mandela, líder do Congresso Nacional Africano, preso por 28 anos, é libertado. 1991. Negociações multirraciais são iniciadas para estabelecer as bases de um período de transição.

O presidente De Klerk pede perdão pelo apartheid, em outubro de 1992. Um ano depois, em outubro de 93, De Klerk e Mandela recebem o Prêmio Nobel da Paz.

1994. É posta em vigor a nova Constituição provisória não-racial, que outorga direito de voto à maioria negra.

27 de abril de 1994. Primeiras eleições multirraciais na África do Sul. Nelson Mandela sai candidato pelo Congresso Nacional Africano e se torna presidente. Um desafio para o CNA de Mandela: fazer uma África do Sul mais humana e com melhores condições de vida para a maioria de sua população.