
|
|
![]() |
|
|
O trabalho nas fazendas não era fácil. A família
imigrante era responsável por uma gleba do cafezal, que exigia,
além da colheita, cinco ou seis limpezas anuais.
"O mau tratamento que os italianos recebiam nas fazendas em São Paulo levou a uma crise entre o governo do estado de São Paulo e o governo da Itália. A imigração japonesa nasceu da crise havida com a imigração italiana". Depoimento
de Bóris Fausto.
E mais uma vez Santos recebeu imigrantes, agora vindos da longínqua Ásia. Eram os japoneses, que desembarcavam do navio "Kasato Maru" já contratados para a lavoura de café. Famílias sem crianças pequenas eram as mais procuradas, pois o interesse maior era no trabalho de um braço adulto.
Depoimento
de Mitsuko Kawai.
Desde o início, fazendeiros e capatazes duvidavam da capacidade de adaptação dos japoneses a terra tão estranha. No entanto, eles se adaptaram rapidamente à vida nos cafezais e permaneceram por mais tempo no campo. Os japoneses, atualmente, são responsáveis pela maior parte da produção de legumes e verduras do estado de São Paulo.
"A vida no casamento começou com enxada e a lata d'água que a gente tirava do poço. A gente partia lenha... e aconteciam muitos acidentes, até machucando crianças. Eu tinha de puxar enxada junto com o marido o dia inteiro, e à tarde voltava para a casa um pouquinho mais cedo para fazer comida, dar banho nas crianças. Uma dureza que só imigrante sabe". Depoimento
de Mitsuko.
Derrotados, marcados pelo desencanto, 40% dos imigrantes italianos retornaram à Europa. Os que ficaram criaram raízes. Na cidade, alguns se tornaram grandes comerciantes e industriais, e outros foram ser operários da nascente indústria paulista.
O Brasil de 1910 contava 24 milhões de habitantes, dos quais dez por cento eram imigrantes. A indústria paulista contava com o empenho de produtores rurais e imigrantes italianos. Famílias como os Prado e Penteado nela investiram os lucros do café. Italianos, como os Crepi e Matarazzo, chegaram com algum dinheiro e corajosamente instalaram suas fábricas. A relação do imigrante com a cidade se intensificava. Não tinha mais jeito, eles precisavam se integrar ao novo mundo. Tornaram-se os artistas, sapateiros, jornaleiros, tintureiros, alfaiates... Agruparam-se em bairros e vilas operárias e reproduziam manifestações culturais de seu povo para matar a saudade e preservar as tradições.
"Eu, sabendo que vinha de um país estrangeiro, tinha de saber esta língua. Então antes de sair, parece incrível, eu comecei a estudar o português. Mesmo assim, como dizem meus filhos, eu falo um português macarrônico". Depoimento
de Victoria.
Nos bondes, ruas, comércio e indústrias, dialetos italianos eram tão ouvidos quanto o próprio português. São Paulo era Zan Paolo. Queijo tornou-se formaggio. E trabalho era lavoro. "Houve um jornalista brasileiro, Alexandre Marcondes Machado, com nome tradicional, que criou um personagem, Juó Bananere. Ele era um ítalo-brasileiro que escrevia nos jornais uma fala ítalo-brasileira. Alguns romancistas, o mais conhecido Alcântara Machado, introduziram nos bairros do Brás, Bexiga e Barra Funda a figura do italianinho, o imigrante falando o que se considerava o português macarrônico". Depoimento
de Bóris Fausto.
|