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O imigrante e o trabalho
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O trabalho nas fazendas não era fácil. A família imigrante era responsável por uma gleba do cafezal, que exigia, além da colheita, cinco ou seis limpezas anuais.

Eles recebiam salários e faziam suas compras na venda do patrão, o que quase sempre gerava uma relação de dependência. Muitos, desencantados, retornavam para a Itália. Outros seguiam de fazenda em fazenda na esperança de melhor sorte, que alguns alcançavam comprando pequenas propriedades.

Outros ainda, ex-operários e artesãos na Itália, se estabeleciam na cidade. Porém, perpetuando a mentalidade de donos de escravos, alguns patrões chamavam seus colonos de "escravos brancos".

"O mau tratamento que os italianos recebiam nas fazendas em São Paulo levou a uma crise entre o governo do estado de São Paulo e o governo da Itália. A imigração japonesa nasceu da crise havida com a imigração italiana".

Depoimento de Bóris Fausto.

E mais uma vez Santos recebeu imigrantes, agora vindos da longínqua Ásia. Eram os japoneses, que desembarcavam do navio "Kasato Maru" já contratados para a lavoura de café. Famílias sem crianças pequenas eram as mais procuradas, pois o interesse maior era no trabalho de um braço adulto.

Imagem Mitsuko Kawai"A primeira viagem longa de navio do Japão para o Brasil levou 62 dias no mar, sem ver a terra... Para vir trabalhar na roça era preciso formar uma família, e para isso muitas pessoas arranjavam casamentos sem considerar o gosto da moça. Tinha uma moça que não conseguiu gostar do seu noivo, acabou se suicidando. Isso foi uma grande tragédia na viagem. A outra foi o sarampo que assolou os passageiros. Mil e duzentas pessoas num navio ... Quando dá sarampo não há criança que escape".

Depoimento de Mitsuko Kawai.

Desde o início, fazendeiros e capatazes duvidavam da capacidade de adaptação dos japoneses a terra tão estranha. No entanto, eles se adaptaram rapidamente à vida nos cafezais e permaneceram por mais tempo no campo. Os japoneses, atualmente, são responsáveis pela maior parte da produção de legumes e verduras do estado de São Paulo.


"A vida no casamento começou com enxada e a lata d'água que a gente tirava do poço. A gente partia lenha... e aconteciam muitos acidentes, até machucando crianças. Eu tinha de puxar enxada junto com o marido o dia inteiro, e à tarde voltava para a casa um pouquinho mais cedo para fazer comida, dar banho nas crianças. Uma dureza que só imigrante sabe".
Depoimento de Mitsuko.

Derrotados, marcados pelo desencanto, 40% dos imigrantes italianos retornaram à Europa. Os que ficaram criaram raízes. Na cidade, alguns se tornaram grandes comerciantes e industriais, e outros foram ser operários da nascente indústria paulista.

Imagem Indústria TextilO Brasil de 1910 contava 24 milhões de habitantes, dos quais dez por cento eram imigrantes. A indústria paulista contava com o empenho de produtores rurais e imigrantes italianos. Famílias como os Prado e Penteado nela investiram os lucros do café. Italianos, como os Crepi e Matarazzo, chegaram com algum dinheiro e corajosamente instalaram suas fábricas.

O Brasil de 1910 contava 24 milhões de habitantes, dos quais dez por cento eram imigrantes. A indústria paulista contava com o empenho de produtores rurais e imigrantes italianos. Famílias como os Prado e Penteado nela investiram os lucros do café. Italianos, como os Crepi e Matarazzo, chegaram com algum dinheiro e corajosamente instalaram suas fábricas.

A relação do imigrante com a cidade se intensificava. Não tinha mais jeito, eles precisavam se integrar ao novo mundo. Tornaram-se os artistas, sapateiros, jornaleiros, tintureiros, alfaiates... Agruparam-se em bairros e vilas operárias e reproduziam manifestações culturais de seu povo para matar a saudade e preservar as tradições.


"Eu, sabendo que vinha de um país estrangeiro, tinha de saber esta língua. Então antes de sair, parece incrível, eu comecei a estudar o português. Mesmo assim, como dizem meus filhos, eu falo um português macarrônico".
Depoimento de Victoria.

Nos bondes, ruas, comércio e indústrias, dialetos italianos eram tão ouvidos quanto o próprio português. São Paulo era Zan Paolo. Queijo tornou-se formaggio. E trabalho era lavoro.

"Houve um jornalista brasileiro, Alexandre Marcondes Machado, com nome tradicional, que criou um personagem, Juó Bananere. Ele era um ítalo-brasileiro que escrevia nos jornais uma fala ítalo-brasileira. Alguns romancistas, o mais conhecido Alcântara Machado, introduziram nos bairros do Brás, Bexiga e Barra Funda a figura do italianinho, o imigrante falando o que se considerava o português macarrônico".

Depoimento de Bóris Fausto.

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