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Mico-leão-de-cara-dourada

O sul da Bahia é o habitat do cara-dourada

Outro importante trecho da mata atlântica situa-se no sul da Bahia. A mata fechada, com árvores de até 30 metros de altura, é o que sobrou de um dos mais ricos e bem preservados ecossistemas da Floresta Atlântica. É a terra do mico-leão-de-cara-dourada.

O pesquisador americano James Dietz está fotografando a região para tentar conseguir que entidades internacionais comprem essas terras para depois doá-las ao governo brasileiro.

James Dietz, pesquisador da Universidade de Maryland, EUA, fala:

"A década dos 90 é a década de adquirir terras para reservas. é a última chance que nós temos para deixar uma herança de biodiversidade para as gerações futuras. Daqui a uns 10 anos não vamos ter essa oportunidade, então é agora ou nunca".


O homem quase não tocou na Reserva da Una

A Reserva Biológica de Una tem 7 mil hectares de mata, e a maior parte dela nunca foi tocada pelo homem.

O diretor da Reserva da Una, Saturnino de Souza, depõe:

"Como a Mata Atlântica do sul da Bahia é uma das matas mais ameaçadas do mundo, existe todo o envolvimento, toda a preocupação de organizações não governamentais, não nacionais que estão empenhadas em aumentar a reserva biológica de Una. Recentemente nós conseguimos mais 1400 hectares de terras, graças ao incentivo e à colaboração das organizações não governamentais".

Com a nova filosofia de primeiro preservar para depois pesquisar, os estudos em Una estão começando agora. E a maior parte do dinheiro vem de fora. A equipe de cientistas presente no Una é coordenada pelo Jardim Botânico de New York em convênio com entidades e universidades brasileiras, e trabalha para saber o que a mata da Bahia tem. A Reserva do Una nunca foi estudada, mas os pesquisadores sabem do seu potencial.

Quem fala é Thomas Wayt, diretor:

"Nós fizemos um estudo em outra área com mata parecida, a 40 quilômetros de Ilhéus. Dentro de 1 hectare nós achamos 443 espécies. Isso é um nível de diversidade de árvores muito alta, quase a mais alta do mundo".

O maior aliado na luta pela preservação dessa mata é o mico-leão-de-cara-dourada, ou mico-leão-baiano. A reserva foi criada por causa dele, e salvar o mico significa salvar a floresta onde ele vive. Desde 1991 o pesquisador James Dietz vem implantando em Una um projeto parecido com o de Poço das Antas, que ele conhece muito bem. Foi Dietz quem iniciou a fase brasileira do projeto com os micos dourados. Estudou o comportamento deles na natureza durante três anos e desenvolveu os métodos de captura, coleta de dados e uso de rádio que agora são aproveitados com o mico baiano.


Os grupos de micos são objetos de estudo

Ainda não foi feito um levantamento de quantos micos-leões vivem na reserva de Una. Na pequena área estudada até agora, foram encontrados cinco grupos com 19 animais. Os estudos de Dietz indicam que a reserva está ocupada por mais de 300 micos. Para garantir a sobrevivência da espécie seriam necessários no mínimo quinhentos.

James Dietz continua:

"O fator limitante, o fator crítico para o mico-leão e para muitas espécies na mata Atlântica é falta de hábitat e o desmatamento. Isso é essencial. Nosso objetivo não é somente a preservação de mico-leão, mas mico-leão em floresta. Conservando mico-leão em floresta, se conserva tudo o que tem dentro, toda aquela biodiversidade que existe nos 80 hectares".

A experiência com o mico-leão-dourado deixou, além dessa, outra importante lição: para preservar é preciso investir em educação. Nesse sentido, grupos de crianças fazem visitas ao Centro Educativo Para a Natureza, que faz parte do Projeto Mico-Leão-Baiano.

Quase todos os micos que estão nos viveiros foram doados para o Centro por pessoas que criavam os animais em casa, como bichos de estimação. Depois que o projeto de educação ambiental começou a ser divulgado nas escolas, nas comunidades e pela televisão, os micos começaram a ser levados para lá. Hoje o Centro tem 19 micos, a maioria com sinais de maus-tratos.

A bióloga Maria Cristina Alves comenta:

"Tem gente que chega a cortar o rabo do mico para ele não ter equilíbrio. Então, quando eles vieram machucados. A armadilha que os caçadores usam corta às vezes o rabo, quebra a perna..."

Aos poucos os micos-leões vão sendo acostumados a viver fora da gaiola. A intenção do projeto é que em pouco tempo eles possam ser soltos em fazendas que ainda conservam pedaços de mata. Mas a crise do cacau é uma ameaça para as florestas.

No incíio dos anos oitenta a maior fatia de mata Atlântica intacta do país estava no sul do estado da Bahia, apesar de ser o segundo maior produtor de cacau do mundo. No fim da década dos oitenta, o preço da tonelada de cacau no mercado internacional despencou em 1.700 dólares. Além disso, uma praga violenta chamada "vassoura de bruxa" começou a se espalhar pelas plantações. Hoje, mesmo em fazendas onde o cacau é cultivado há quatro gerações, não existe a certeza de que a tradição continue. Muitos fazendeiros estão contornando a crise com a venda de madeira. O corte de madeira de lei nos últimos cinco anos já devastou 20% de toda a mata primária que resta no sul da Bahia.

O fazendeiro Virgílio Amorin observa:

"Se continuar esse preço defasado, se continuar o avanço da vassoura de bruxa, eu não vejo solução a não ser a gente transformar tudo em pastagem".


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